
Uma das figuras mais emblemáticas e distintas da nossa cidade não merecia a pouca dignidade que o Município lhe concedeu nesta época festiva. No momento em que se carregou no interruptor para acender as luzes de Natal de uma parte do centro da cidade, dando assim início ao chamado “Natal com Tradição”, as várias dezenas de pessoas que assistiam à cerimónia no Largo Duque D`Ávila e Bolama não se aperceberam de grande diferença em relação à iluminação, pois a escuridão manteve-se no local.
Não fosse a presença da Fanfarra dos Bombeiros e o brilho por ela concedido a esta cerimónia, única entidade a atuar nessa noite, este teria sido apenas mais um simples ato na política economicista da Câmara Municipal, fazendo agora uso do velho ditado “poupa-se numas coisas para se gastar noutras”.
Do alto do seu pedestal, quem sente, ano após ano, esta orientação de poupança autárquica na fatura energética, é o Duque D`Ávila e Bolama, figura proeminente da vida política e da sociedade faialense. Para ele chegou o momento de perguntar aos responsáveis do Município se têm optado por poupar na iluminação de Natal, onde estão a gastar o dinheiro dos contribuintes faialenses?
Perante esta atitude camarária de votar sempre a um completo esquecimento um dos locais mais icónicos da nossa história, o centro nevrálgico da cidade, não parece restar ao “Duque” outra posição que não seja a de fazer as suas malas e ir pregar para outra freguesia, ou dito de outra forma, descer do seu pedestal e encontrar um local que lhe dê a devida atenção e a dignidade que acredita merecer.
Quiçá erguer-se lado a lado com Manuel de Arriaga, também ele esquecido e, muitas vezes, entupido com barcos atracados e carros estacionados.
Mas o “Duque” não quer só para si os holofotes do Natal, exige que os mesmos sejam repartidos de igual forma, não apenas com esta ou aquela rua, mas sim com todas as artérias principais da cidade e, sobretudo, com o edifício que se situa à sua direita, casa habitada há mais de 28 anos por uma maioria de esquerda.
O facto de o edifício da Câmara Municipal da Horta não ter na sua enorme fachada uma única luz de Natal, um único adereço alusivo a este período festivo, apesar da imponência que transmite, da história e da Instituição que alberga, é revelador de que a época natalícia não parece interessar nem se comemorar por estas paragens.
Um valor irrisório com certeza será o que custaria ao Município iluminar o Largo Duque D`Ávila e Bolama e o exterior da Câmara Municipal quando comparado com outras despesas realizadas no pico do Verão.
Aliás, quem mostra regozijo por não inovar, por acender as desatualizadas e antigas luzes de Natal mais cedo do que é habitual, parece perceber pouco daquilo que a população gosta de ver e sentir nesta quadra festiva.
Só se pode entender esta opção no quadro da estratégia há muito pensada por parte do Município de uma política ambiental mais sustentável, de tentativa de diminuição da pegada ecológica e da utilização racional da política dos três “RRR”: Reduzir, Reciclar e Reutilizar.
Reduzir, pois parece haver cada vez menos luzes nas ruas da cidade, Reciclar e Reutili-zar, na medida em que há largos anos se mantêm a tradição com a mesma iluminação.
É claro que com tudo isto não se pode querer tirar o mérito à autarquia pela iniciativa inédita de prolongar o “Dia das Montras” ao dia 9 de dezembro, e assim trazer mais gente à cidade e ao seu centro histórico, possibilitando aos comerciantes mostrar e vender os seus produtos mais uma vez.

















