O FILME REPETIDO

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1. O Plano para 2016 fecha um mandato de quatro anos do atual governo regional. Por isso, qualquer análise ou avaliação daquele documento deve ser indissociável do balanço ao mandato que agora está a terminar, pois, salvo raríssimas exceções, não se consegue concretizar num ano aquilo que em três não se fez.
Lembro novamente nestas páginas que há quatro anos o Partido Socialista se apresentou no Faial com um Manifesto Eleitoral onde, livre e voluntariamente, conhecendo a realidade presente e as dificuldades esperadas, se comprometeu com mais de 50 promessas que seriam para cumprir até 2016. Entre elas considero essencial perguntar, por exemplo:
1) Onde está a promessa de instalar o Parque Empresarial para empresas ligadas ao aproveitamento dos recursos do mar, em articulação com a promoção da investigação do mar profundo?
2) Onde está a promessa de reabilitar a estrada regional Largo Jaime Melo-Capelo, bem como a ligação à Ribeira Funda?
3) Onde está a promessa de promover a execução da 2ªfase da Variante à cidade da Horta?
4) Onde está a promessa de proceder à requalificação de todas as estradas objeto de intervenções anteriores e que apresentam evidentes sinais de desgaste?
5) Onde está a promessa de desenvolver os procedimentos conducentes à construção do campo de golfe do Faial?
6) Onde está a promessa de reabilitar as termas do Varadouro?
7) Onde está a promessa de criar na zona norte da ilha do Faial um edifício para Centro de Convívio de Idosos/Centro de Noite, creche e ATL?
8) Onde está a promessa de construir o novo quartel dos Bombeiros?
9) Onde está a promessa de promover a requalificação do Farol da Ribeirinha?
10) Onde está a promessa de promover a criação no Faial de um centro de treinos da alta competição na área dos desportos náuticos?
11) Onde está a promessa de construir um campo de jogos para o Atlético e para o Sporting da Horta?
12) Onde está a promessa de reabilitar o pavilhão desportivo do Fayal Sport Clube?
2. Mas, se quiserem, em vez destas promessas, podemos perguntar se, na legislatura, ficarão concluídos, como foi prometido, outros investimentos estruturantes como a Escola de Formação de Marítimos dos Açores, a 2ªfase do reordenamento e requalificação da baía da Horta, a construção do novo matadouro da Horta ou a empreitada de reordenamento do saco do porto da Horta?
Num caso ou noutro, durante este mandato, nem os dedos de uma mão serão necessários para contar o que ficará integralmente cumprido, como devia e como foi prometido, na legislatura.
É que o truque no Faial é o mesmo de sempre: no ano das eleições, começam-se umas obras, anunciam-se uns concursos, lançam-se umas primeiras pedras, faz-se de conta que vai ser para avançar, e, depois das eleições, começam as demoras e as dificuldades, faseiam-se umas obras, cancelam-se outras, culpa-se os outros e espera-se pelas novas eleições. Quantas vezes já vimos este filme? Quantas vezes ainda o teremos de ver no Faial para aprender? E para decidir de forma consciente como votar nas eleições do próximo ano?
3. E se a este cenário juntarmos as persistentes baixas execuções orçamentais, que por regra desvirtuam o que está inscrito nos Planos, então o panorama é verdadeiramente desolador: por exemplo, o Estádio Mário Lino (que tem nome, mas que não foi construído) já teve quase 5 milhões de euros inscritos nos sucessivos Planos; a ampliação da pista do Aeroporto da Horta (uma promessa escandalosamente abandonada pelo Partido Socialista) já teve em plano 3,5 milhões de euros; ou o próprio Campo de Golfe do Faial, que continua sem existir, já foi contemplado com quase meio milhão de euros! Por isso, com estes governos, como se prova, os Planos não são efetivamente para valer.
A pergunta que se impõe, cada vez mais exige uma resposta que nunca é dada: para onde foram esses milhões (os exemplos dados atrás são mesmo só isso – alguns exemplos) que estiveram inscritos nos Planos para o Faial e que não foram cá investidos?
Em 2012, o Secretário Regional do Turismo e Transportes garantia aos deputados regionais “que os compromissos eleitorais do PS em cada ilha, são compromissos do Governo e são para cumprir na presente legislatura.”
Está visto que, pelo menos, em relação ao Faial aquele governante não estava a falar verdade!
E é isto que no Faial nos arriscamos a continuar a ter, enquanto por cá não houver, por parte da maioria dos eleitores, a coragem de mudar o sentido de voto e deixar de premiar aqueles que, mandato atrás de mandato, nos enganam e não cumprem o que nos prometem!
07.12.2015