O futuro do PS/Faial e a mudança no regimento da Assembleia Legislativa

0
133
TI
TI

1 A enorme vitória eleitoral obtida pelo Partido Social Democrata na ilha do Faial e a constituição de um governo de coligação de direita, apoiado no Parlamento por forças políticas dessa mesma área, levaram a relegar para segundo plano a prestação realizada pelo PS/Faial e pelos seus candidatos nas últimas eleições legislativas regionais.
Uma prestação bem pior, diga-se, que aquela obtida nas urnas há quatro anos, mas que, segundo parece, não foi suficiente para motivar, ainda, uma reflexão interna por parte dos responsáveis políticos socialistas faialenses acerca das causas que determinaram essa derrota.
É certo que passou pouco tempo desde esse ato eleitoral e que o foco dos açorianos está, sobretudo, direcionado para a difícil fase que se atravessa no combate à pandemia da Covid-19, mas a Comissão Política de Ilha do PS e o seu Presidente, Tiago Branco, não podem deixar de tirar dali, rapidamente, ilações concretas, para, dessa forma, preparar o futuro próximo.
A primeira e, sem dúvida, a mais relevante, é a de perceber o que motivou os faialenses a optar pelo projeto do PSD em detrimento daquele que o Partido Socialista apresentou.
Será que foi o facto de, eleição após eleição, apresentarem sempre as mesmas pessoas a encabeçar as listas eleitorais? Ou será que foi devido ao não cumprimento das muitas promessas assumidas pelo PS para a ilha do Faial?
Em face dos últimos resultados nas urnas, parece evidente que a “velha guarda” socialista faialense já começa a constituir um entrave a novas vitórias, pelo que será fundamental uma mudança.
Tiago Branco é um jovem que chegou há pouco tempo à ribalta política, que já deu provas no Parlamento Regional, e que, certamente, terá um papel importante nessa mudança dentro do Partido Socialista local.
Mudança que exigirá novas caras e novos atores políticos, que não tenham anticorpos junto da população e que comunguem de uma “cartilha” diferente daquela que, tradicionalmente, é imposta aos eleitores.
Pois, só assim se conseguirá mudar mentalidades e assegurar um futuro vitorioso para o partido na ilha.

2 O discurso do novo Presidente da Assembleia Legislativa espelhou, em parte, aquilo que os açorianos depositaram nas urnas: a intenção de deslocar para o Parlamento da Região e centrar neste o debate político.
Este facto, por si só, obrigará todos os partidos com assento parlamentar, no início desta legislatura, a criar novos hábitos de debate e, consequentemente, a repensar o Regimento existente na ALRAA.
Desde logo, com vista a dar maior dignidade democrática não só à função de deputado, mas também à função governativa, de modo a tornar os debates mais produtivos, com relevantes assuntos que afetem positivamente a vida dos cidadãos, talvez seja importante que se faça uma reflexão atenta acerca da hora de inicio dos trabalhos no hemiciclo.
Fará sentido para os açorianos que os seus representantes comecem a trabalhar a meio da manhã? Mais, justifica-se que, após o início do debate de um qualquer assunto, a sessão seja interrompida, quase sempre impreterivelmente, entre as 11.30h e as 12.00horas?
Recorde-se o estudo encomendado pelo parlamento regional ao Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade dos Açores acerca das razões da abstenção nos Açores, em que 88,8% dos açorianos apontaram o Governo como principal responsável pelo aumento da abstenção, logo seguido pelos deputados (88,2%) e pelos partidos políticos (85,5%).
Hoje, mais que nunca, os cidadãos açorianos estarão atentos ao trabalho que os deputados por eles escolhidos desenvolverão no hemiciclo regional, pelo que poderá ser este o momento certo para mudar regras ou práticas consuetudinárias.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO