O Ministério Público deve abrir um inquérito à gestão da SATA!

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A SATA e, particularmente, as acessibilidades aéreas às ilhas do Triângulo foram o tema de uma reportagem transmitida pela TVI na semana passada. No entanto, apesar da presença em estúdio de um representante da ilha do Pico e do Faial (e nenhum da ilha de São Jorge), a peça jornalística e a discussão gerada posteriormente acabaram por resvalar, sobretudo, para a situação financeira da SATA e para as dificuldades sentidas pelos faialenses em sair da sua ilha por via aérea.
E não posso deixar de dizer que a primeira frase desta reportagem – a SATA está à beira da falência com mais de 250 milhões de euros de prejuízo – me deixou perplexo. Por momentos lembrei-me da notícia bombástica da TVI, datada dos finais de 2015, que dava conta de uma intervenção iminente no Banif, o que provocou uma fuga massiva de depósitos e a consequente falência desse banco.
Não é que não se saiba que a situação financeira da empresa é extremamente difícil, mas o elevar tal aspeto a notícia nacional pode ter causado danos irreparáveis na reputação da companhia aérea. Mas já lá vamos sobre o que nos foi dado a conhecer em relação às finanças e gestão da SATA.
Para além deste facto, esta reportagem serviu para alguns faialenses pintarem a todo o país uma realidade negra da ilha e do Triângulo que, no meu entender, não corresponde totalmente à verdade e que culminou com a afirmação da jornalista “um paraíso na Terra tornou-se um inferno nos céus.”
Naturalmente que cada um tem a sua opinião, o que é salutar em democracia, mas aparecer perante as câmeras de uma televisão nacional e dizer sem pejo que os faialenses estão completamente isolados de tudo e que não temos acesso a nada, significa apresentar uma realidade que não é a atual e prejudicar todo o trabalho que se tem vindo a desenvolver em termos de promoção turística deste destino.
Basta um minuto para destruir o que levou anos a construir. Quem aqui mora sabe que existem dificuldades nas ligações aéreas ao exterior, com atrasos e cancelamento de voos devido essencialmente ao mau tempo ou por razões técnicas, mas daí até estarmos isolados do resto do mundo vai um grande passo. Olhe-se para os dados do primeiro semestre para verificarmos que os cancelamentos da SATA Air Açores são apenas de cerca de 5% (183) do total de voos realizados (3330), enquanto na Azores Airlines tivemos 44 voos cancelados (29 devido ao mau tempo) de um total de 415 voos.
Todavia, o que mais chamou a atenção foram as afirmações do Vice-Presidente do Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil a propósito da gestão da SATA, o qual afirma ser necessário uma investigação cuidada às contas da SATA e ao dinheiro que é gerado pela empresa, que passa sempre pelas mãos do Governo Regional.
Nas suas palavras “como é possível a empresa ter milhões de prejuízos quando os custos são iguais aos de outras empresas? Alguém está a fazer alguma coisa para ficar com o dinheiro que a companhia gera?”
São, sem dúvida, afirmações graves e preocupantes, que colocam sob suspeita as várias administrações da empresa. Recorde-se o caso do avião A330 em que foi celebrado um contrato mediante o qual a aeronave sai mais barata à empresa estando parada do que a voar.
Num momento em que se assiste a um incremento do combate à criminalidade económico-financeira, estas alegações, de viva voz, deviam obrigar o Ministério Público (MP) a abrir uma investigação.
Se foi aberto pelo MP um inquérito ao caso das golas inflamáveis, ao caso da criança que ficou sozinha em casa durante 14 horas ou à tarja da claque do FCPorto, porquê, numa situação tão dúbia quanto esta, o Ministério Público teima em manter o silêncio? Exige-se que atue neste caso denunciado na praça pública, para que os cidadãos açorianos possam saber a verdade em relação à sua companhia aérea e à gestão da mesma.

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