Vivemos tempos novos, os nossos consumos são diferentes do que eram antigamente, as necessidades para o nosso bem estar são cada vez mais exigentes, tendo sido necessário haver mais investimento para atingir esses patamares. Esta chamada evolução tem como consequência não se querer voltar ao antigamente, não se querer baixar a qualidade de vida.
Os investimentos para atingir a qualidade de vida foram pessoais e familiares, como por exemplo a aquisição de habitação, maior escolaridade, a introdução das novas tecnologias nas nossas vidas. Já ao nível do investimento público, com os nossos impostos e com a integração na União Europeia, muitas áreas foram desenvolvidas.
Tanto as famílias, como as empresas e o estado fizeram investimentos intensivos de capital para ir pagando ao longo do tempo, parecendo legítimo querer antecipar a tão desejada qualidade de vida através do pagamento de prestações. Contudo, quando a prosperidade abranda, originando uma situação de crise económica, a escassez financeira coloca todo o modelo em questão.
Nesta situação de dificuldade temos as famílias e as empresas não só a pagar as suas prestações como impostos crescentes, para que o Estado, que somos todos nós, consiga pagar as suas (nossas) prestações.
Quer o orçamento do Estado, quer o plano e orçamento da Região devem ter denominadores comuns como a promoção do desenvolvimento económico e social e a geração de um ambiente de prosperidade e emprego que permita ao Estado arrecadar receita para as suas despesas correntes e de investimento de capital, no entanto a equação de equilíbrio entre estas requer emergência de actuação.
Houve um presidente da república portuguesa que disse que havia vida para além do deficit. O resultado está à vista, pois foram os governos que agiram em conformidade que conduziram o país a à actual situação próxima da banca rota.
Há uma dura verdade: o Estado que podemos pagar tem de ser forçosamente mais pequeno que o que temos! Há que reequacionar as áreas de atuação por excelência do Estado e as que possam ser pagas. Existe um para-Estado, isto é, um conjunto de institutos, fundações e empresas públicas dos quais muitos necessitam de reformas profundas ou a pura extinção. A determinação dos atuais dirigentes políticos poderá levá-los a cometer erros, mas parecem ter consciência da missão a desenvolver e este plano é o primeiro passo.
Ao nível regional, este orçamento de Estado retira uma percentagem das transferências ao abrigo da lei das finanças regionais, mas a Região sai beneficiada, pois o não pagamento dos subsídios de férias e natal dá folga ao orçamento regional, mas assunção da verdadeira autonomia irá absorver esta folga.
Mesmo estando em fim de mandato, a verdade é que vivemos no mesmo mundo, pelo que seria necessário que os planos e orçamentos regionais fossem igualmente dinâmicos e que tivessem medidas que incrementassem a circulação de moeda na Região e a criação de riqueza local, mas infelizmente a tónica é outra.
Temos um plano que é mais do mesmo, com acréscimo de dotação para a maior ilha dos Açores (a cheirar a eleições) e o aumento de medidas que consistem em dar o peixe em vez de ensinar a pescar…
Como deve encarar o Faial este plano regional? Infelizmente, da mesma maneira que todos os outros, pois os governos, ao longo destes anos, fazem quase sempre as mesmas coisas. Sim, melhora-se escolas e reconstrói-se no Hospital da Horta, mas são investimentos ou de substituição ou de modernização nos mesmos sectores alvo de intervenção dos governos anteriores, verificando-se a ausência de investimentos de expansão.
Isto é, não há nada de novo, nada que vejamos que o Faial possa ser diferenciador e inovador, não há uma alavanca de riqueza, o Faial com este plano é apenas mais uma destas ilhas de baixo, que continua à espera da modernidade que tarda em chegar.
A nova modernidade passa pela ciência e tecnologia, mas nada relevante está previsto para o Faial; relativamente às acessibilidades aos centros de maior dimensão, nada é feito. Sim, o mundo mudou, mas os planos para o Faial não…











