
Correndo o risco de me dizerem que “já chega de bater no ceguinho”, não poderia deixar passar em claro a afirmação do passado dia 20 de Abril, proferida pelo Presidente do Governo Regional na Assembleia Legislativa Regional, que passo a citar:
“O Governo Regional não está disposto a pôr os Açorianos a pagar pelasomissões do Governo da República (…)”.
Considero esta declaração profundamente infeliz e reprovável. Não só pelo conjunto de razões que na edição anterior deste semanário, na coluna que assina, Costa Pereira elencou, e que mostram que num vasto leque de situações este mesmo Governo Regional se prontificou a “colmatar” as denominadas omissões. Vasco Cordeiro é infeliz sobretudo porque demonstra que não partilha da visão de um arquipélago desenvolvido harmoniosamente, que o seu plano de mobilidade aérea não inclui o Faial e que os compromissos dos seus partidários não são para levar a sério.
O mais caricato desta declaração é ela surgir numa semana em que a Câmara Municipal da Horta (CMH) lhe entregou o estudo que encomendou a propósito da ampliação da pista do nosso aeroporto.
Fica-se a saber que enquanto os custos apontados anteriormente, não se sabe bem por quem, e que seriam desmoralizadores para as pretensões dos Faialenses,andou a sacudir responsabilidades, agora que aparece um estudo que corta em 50% esse valor, e eventualmente torna mais plausível esse investimento, já não se pode gastar dinheiro regional porque os micaelenses nada têm que arcar com isto…
Isto deixa-me a pensar noutro detalhe acerca da operacionalidade do aeroporto da Horta, nomeadamente no que diz respeito ao RNP, mais conhecido por ser a tecnologia implementada através do projecto RISE e que permite maiores aproximações à pista. Esta tecnologia obrigava a um “upgrade” ou actualização das aeronaves e obviamente a custos.Foi com agrado e alguma surpresa que verifiquei que esse investimento foi aprovado, mas agora suspeito que apenas o foi porque em São Miguel se está a preparar a utilização deste sistema na pista que não tem ILS. Ora se calhar o projecto só foi para a frente porque São Miguel também poderia sair beneficiado.
Quanto ao estudo da CMH – e dando de barato a postura do executivo camarário, nomeadamente de José Leonardo nas intervenções e posições infelizes aquando da reunião com o presidente da SATA (que os mais desatentos poderão conhecer melhor através da leitura do artigo intitulado “Auto da SATA do Inferno” de Hugo Parente no Incentivo)e a própria posição do Grupo do Partido Socialista na última Assembleia Municipal – é de valorizar pelo grupo empenhado a quem delegaram a tarefa, bem como pelas conclusões que obtiveram.
Não é de valor o facto de, para o público em geral, apenas as conclusões estarem disponíveis… Ora se é feito um trabalho cujos levantamentos topográficos, estudos de impacto ambiental, etc, são pagos pelos munícipes, porque motivo estes dados apenas são facultados “a quem é da malta”? Se é o PS que quer estudos, então que os pague. De ressalvar que o grupo que levou a cabo o projecto, “os 5 magníficos” não foram remunerados, mas todos os encargos decorrentes do mesmo foram suportados pelos munícipes.
Apenas abordo esta questão dos argumentos que suportam as conclusões apresentadas pelo facto de ser politica corrente destes Governos desse partido a não divulgação de informação relevante associada aos projectos apresentados, como foi o caso do terminal de passageiros, cujo estudo de impacto ambiental nunca foi divulgado e, alegadamente, nele já eram apontados os problemas de agitação marítima que agora se sentem na marina e na doca velha.














