O Plano de Revitalização da Terceira e a solidariedade regional

0
11

1 Assiste-se nos Açores, por estes dias, a um debate aceso e apaixonado, motivado pelo anúncio da aprovação, pelo governo regional, do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira.

Este Plano surge como forma de combater os efeitos da anunciada decisão dos americanos em reduzir o seu efetivo militar na Base das Lajes para um mínimo de cerca de 165 militares. Esta redução implicará uma diminuição de cerca de 500 postos de trabalhos portugueses naquela Base e, como é fácil de antever, provocará um impacto social e económico muito acentuado na cidade da Praia da Vitória e em toda a ilha Terceira.

2 O Plano de Revitalização Econó-mica da Ilha Terceira, muito genericamente, procura salvaguardar “a proteção social dos trabalhadores da Base das Lajes e das suas famílias, e daqueles que na ilha Terceira, de forma indireta, possam ser afetados no seu posto de trabalho, pelo impacto decorrente da redução de efetivos naquela infraestrutura”; procura “a mitigação do impacto económico e ambiental daquela decisão na ilha Terceira”; e procura “a valorização e potenciação estratégica das infraestruturas existentes em conjugação com o incentivo à criação de empresas e de emprego na ilha Terceira.”

3 Quando se começaram a conhecer as medidas concretas incluídas naquele Plano, de muitas ilhas e de muitos responsáveis choveram as reivindicações da necessidade de se aplicarem também às suas ilhas medidas excecionais como as que agora se aprovaram para a ilha Terceira. 

A acompanhar esta reivindicação, alguns responsáveis de algumas ilhas teceram considerações laterais verdadeiramente excessivas e que, infelizmente, exemplificam bem os resquícios do divisionismo e do antagonismo que marcou os séculos em que as ilhas dos Açores viviam de costas voltadas umas para as outras.

E a resposta de alguns meios terceirenses foi, também ela, destemperada, “atirando à cara” de outros açorianos exemplos (de resto, não verdadeiros) como o da Reconstrução do Faial após o sismo de 1998.

 4 Não se contesta a especial emergência por que passa e passará a Terceira, nem muito menos a necessidade de medidas especiais e mitigadoras dos problemas que terá de enfrentar. 

O que não se compreende e não se aceita é que para outras ilhas, com problemas, à sua escala, pelo menos semelhantes aquele que a Terceira enfrenta, não tenha havido, por parte do governo regional, idêntica preocupação em proteger os desempregados e suas famílias e a mesma postura em procurar mitigar os seus impactos económicos. 

Exemplos? Nas Flores, a Castanheira e Soares deixou no desemprego quase 200 pessoas. No Faial, fechou a COFACO, o Teófilo, a Rádio Naval: com eles, mais de 150 postos de trabalho desapareceram. Em S. Miguel, só o setor da construção civil perdeu mais de   10 000 trabalhadores.

Qualquer um destes exemplos não só ilustra o problema social imediato do desemprego, mas também, naturalmente, as inevitáveis e graves consequências económicas que ele implicou para as respetivas ilhas.

Mas, apesar disso, onde estão, onde estiveram, as medidas especiais mitigadoras destes problemas propostas pelo governo regional para estas ilhas?

5 Estas omissões e estas opções políticas do governo regional é que corroeram a confiança dos cidadãos e que ameaçam a unidade regional. Como já aqui escrevi, “A prática governativa dos últimos anos aprofundou as divergências de crescimento e de oportunidade de desenvolvimento entre as várias ilhas, acentuou clivagens, não resolveu nem amenizou (antes aprofundou) o esvaziamento populacional da maioria das ilhas e acabou no que seria de esperar: minou a confiança das pessoas na nossa Autonomia.”

O governo regional, ao ter abandonado a saudável prática da solidariedade que une e fortalece, está a levar os Açores a regredir muitas décadas. Por essa via, o governo regional assume-se como o principal responsável por se estar novamente a assistir ao agitar dos fantasmas dos tempos antigos do divisionismo entre as ilhas. Infelizmente! 

 

11.02.2015

 

 

 

 

 

 

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO