O Show do Governo Regional e o dilema do PSD Açores

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1. Ainda não tinham decorrido oito meses sobre a última visita e eis que Vasco Cordeiro e o seu Governo aterraram novamente em peso na ilha do Faial para mais uma estada. Não se tratou de uma visita estatutária, pois não se encontra prevista no Estatuto Político-Administrativo da Região, mas equivaleu a tal, tantas foram as inaugurações, as visitas e apresentações de projectos e obras a lançar futuramente.
A comitiva do executivo regional é sempre bem-vinda à ilha, no entanto, aos faialenses não deixou de causar alguma estranheza o facto de, durante anos, o Governo Regional não ter realizado quaisquer visitas e, num espaço tão curto, já se contabilizam duas presenças.
Muito provavelmente esta antecipação é resultado do recente descontentamento manifestado pela população faialense em relação aos transportes aéreos e marítimos.
E até a própria administração da SATA, contrariando aquela que tem sido a sua prática habitual, useira e vezeira em não reunir com as forças vivas das diversas ilhas, deu um pulinho ao Pico e depois ao Faial para tentar explicar às entidades locais os cancelamentos recentemente ocorridos.
Mas esta, contrariamente ao que sucedeu com o Governo Regional, trouxe uma mão cheia de nada. Não haverá mais voos nem mais lugares. E, como diz o povo, “a culpa não pode morrer solteira” pelo que a administração da SATA atribuiu as culpas pelo caos registado à falta de pilotos.
Esta visita do executivo regional mostrou, sem dúvida, Vasco Cordeiro no seu melhor, empenhado em fazer e deixar obra feita na ilha do Faial. Ele foi inaugurações, ele foi visitas, ele foi presença em reuniões. Enfim, um espetáculo de quem governa e de quem continua a trabalhar para vencer as próximas eleições regionais.
Isto porque, por exemplo, depois de tanto apregoar que não havia dinheiro para reabilitar estradas, afinal, após muitos recuos, a reabilitação da estrada Largo Jaime Melo-Ribeira do Cabo será uma realidade, o mesmo acontecendo com a reta de Pedro Miguel.
Infelizmente, não será ainda nesta legislatura que a 2.ª Fase da Variante à cidade da Horta terá o seu epílogo. Talvez lá para o ano de 2023, após estar em execução o novo Quadro Comunitário e este contemplar apoios para a construção de estradas, é que poderemos voltar a sonhar com esta via de comunicação imprescindível para o progresso e desenvolvimento económico do Faial.
Por contraposição ao corropio de inaugurações e visitas, Vasco Cordeiro mostrou indiferença e ignorou por completo os cerca de 100 faialenses que aguardavam uma palavra sua acerca dos resultados da reunião tida com instituições e grupos do Triângulo a propósito das acessibilidades aéreas a esta zona do arquipélago.

2. A operação “Nortada” que na terça-feira passou pela Ribeira Grande apanhou de surpresa o PSD/Açores e pode ter comprometido definitivamente as aspirações do partido a tentar alcançar o poder em 2020.
Alexandre Gaudêncio, líder social-democrata açoriano, foi visitado pela Policia Judiciária e constituído arguido num processo que o envolve enquanto Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Peculato, prevaricação, abuso de poder e falsificação de documentos são alguns dos crimes que lhe são imputados.
Quando as coisas começavam a correr melhor e após a indicação dos candidatos do partido às eleições legislativas nacionais eis que lhe surge um enorme revés que pode pôr em causa a sua liderança.
Protegido pela presunção de inocência, mas com a imagem já afetada junto da opinião pública açoriana, a um ano das eleições regionais, estas suspeitas colocam sobre si uma enorme responsabilidade e um dilema: demitir-se de líder do PSD/Açores, deixando órfão o partido durante alguns meses e facilitando a vida a Vasco Cordeiro, ou manter-se na liderança do partido, fazendo letra morta de tudo o que tinha dito a propósito do processo SPRHI.
Os tempos mais próximos ditarão o futuro de Alexandre Gaudêncio e do PSD/Açores. A ver vamos.

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