Opinando em tópicos

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Só de carros de bois

“Faial das faias”, autêntico hino à minha Ilha, em escrito de Victor Dores, um faialense que, se não o é por nascimento, é por tudo quanto tenho lido e ouvido sobre a Ilha Azul.

Aliás, a esse grandioso panorama que as hortênsias oferecem a indígenas e visitantes, refere-se logo no primeiro período do inesquecível artigo publicado a 15 de Novembro no “Tribuna” de que é, felizmente, assíduo e ilustrado colaborador.

Só que se torna quase impossível apreciar essa dádiva de Deus pelo homem bem aproveitada, pois constitui grande risco para as viaturas e incómodo para os ocupantes a viagem da estrada da Caldeira até aos matos dos Espalhafatos à Ribeira Funda, por mais apropriada estar para carros de bois, se estes não fizerem greve.

Por sinal, o mesmo se passa com a estrada que vai do largo Jaime Melo à Ribeira do Cabo.

Infelizmente já lá vai o tempo em que as estradas do Faial, a cargo das idas Obras Publicas, eram motivo de inveja nas outras ilhas, por serem, de longe, as melhores nos Açores.

E segundo li, as ditas tem estado, nos últimos anos, fora do Orçamento regional, o mesmo sucedendo a mancheia de outros problemas vitais para a economia: faialense, mas estes ficam para próximos tópicos, nanja para amanhã como o jejum do preto, ditado popular que parece ter caído nas graças dos governantes regionais.

 

Caso digno de conto de fadas

Quem não conhece o descobridor da Penicilina, esse antibiótico que continua a salvar gente aos milhares?

Mas nem tanto da infância desse escocês que arriscou sua vida para salvar de afogamento outro jovem.

Tudo começou na segunda metade do século XX quando um lord inglês em passeio pelo campo parou para falar com um moleiro à porta do moinho, enquanto o filho, de tenra idade, continua a andar distraidamente…

…sem dar por isso entra num “lençol de lama movediça”, sendo salvo por outra criança que ouvira seus gritos, por sinal filho do moleiro.

Muito grato, o lord propôs-se oferecer avultada quantia, não aceite, porém, pelo moleiro, mantendo-se inabalável a qualquer recompensa monetária.

Então, o lord avançou com a alternativa: ficar com a educação/instrução do corajoso rapaz.

Aceite, o jovem Fleming frequenta, com o novo amigo, os melhores Colégios, vindo a formar-se em Medicina e Bacteriologia em Universidade de Londres.

O depois é demasiado conhecido, só não sabia que o futuro lord era Winston Churchill.

Resta-me dizer que foi na “Magnificai” que li este caso, aliás digno de conto de fadas …

 

O Voleibol e Os Ladeiras

Ainda hoje sempre que se fala de Voleibol vem-me à memória os Ladeiras do Cascalho que, em meados dos anos 30 do século passado, eram os cedrenses mais conhecidos no meio desportivo da Horta, embora nenhum dos três Clubes citadinos praticassem a dita modalidade.

É que eram atletas possantes, emprestando tamanha força no “bolar” que o esférico raramente era devolvido pelos adversários, facto que até mais me tenha impressionado apesar de nunca os ter visto jogar.

Mas fiquei agora mais esclarecido com a leitura do livro – Crónicas Cedrenses – em grata oferta do amável patrício Eduardo Lacerda que emigrou para a América dez anos antes do Vulcão e radicado agora na zona de Filadélfia.

Naturalmente que o livro em referência me veio avivar recordações da infância vivida na terra dos lacticínios.

Fiquei também a saber pormenores ligados ao Voleibol desde o seu início na Ilha, assaz importantes para a História da Desporto no Faial.

Em 1927 quando Maria de Lourdes, filha da Professora Senhorinha, “estudava na Escola Normal em S. Miguel, trouxe nas férias uma bola e começou a ensinar as raparigas e os rapazes a jogarem. Em seguida organizou um grupo de raparigas e fizeram um campo nas Areias”.

Lacerda escreve ainda: “… nos primeiros passos do volley, no caminho em frente à Escola em que a rapaziada participava, encontrava-se um garoto que mais tarde foi um das maiores impulsionadores da modalidade nos Cedros. Seu nome António Machado “Ladeira””.

E também li que 5 anos depois, (1932) foram seminaristas em férias, jogando no adro da Igreja que deram origem à formação dos primeiros dois Clubes na Praça, seguindo-se uma mancheia deles, entre eles o “Cascalhense” que passou a ser chamado por “Os Ladeiras”.

 

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

 

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