Opinando em Tópicos

0
18

Pista e 2 Pilatos

Depois de anos habituados aos Clippers, os faialenses, com a saída da Pan America para Santa Maria, logo passaram a desejar também aviões com rodas a recompensá-los da perda sofrida e de a Horta ficar também ligada pelos ares às outras duas capitais de distrito.

E começaram então as viagens sem conto do Doutor Freitas Pimentel para Lisboa e que nem divergências de irmãs gémeas, separadas por Canal mesmo de mau tempo, diminuiu o empenho do saudoso Governador para que o distrito tivesse um aeroporto, fosse onde fosse.

Mas, quando tudo se encaminhava para o Lajido no Pico, eis que surge a última palavra de Salazar: só não seria no Faial após esgotados todos os estudos nesse sentido.

Isto aconteceu no tempo em que a Ilha era considerada e respeitada, como sede de distrito.

Anos depois, poucos, um avião com rodas fazia primeira aterragem na pista de Castelo Branco, qual antecâmara da inauguração do Aeroporto da Horta pelo Chefe do Estado, Almirante Américo Tomaz, com a presença do Governador Freitas Pimentel, no dia 24 de Agosto de 1971.

Na véspera, escrevíamos no C.H.: “Os voos que, com carácter experimental, se têm vindo a processar, já nos permitem afirmar que não era utópica a ideia formada quanto à importância que teria para a Horta a existência de um aeroporto. Ainda ante-ontem, um patrício partiu daqui pelas onze horas e à tarde estava a telefonar da sua casa na Nova Inglaterra”.

E meses depois, referindo-nos no mesmo vespertino a sarau musical no “Amor da Pátria” por três continentais, informávamos: “os distintos artistas chegaram ontem à tarde e já se foram na manhã de hoje. Mas vieram porque já temos aeroporto”.

Na altura, ainda estaríamos dependentes da Terceira, São Miguel e Santa Maria, o mesmo sucedendo agora, isto quando há 70 anos os faialenses podiam voar directamente para a Europa e para a América do Norte, partindo da bela baía da Horta.

Natural é pois sua aspiração no aumento da Pista que já vem de anos, fazendo até parecer estarmos em tempos bíblicos, mas com dois Pilatos instalados em Palácios: um em Ponta Delgada e outro em Lisboa a lavar as mãos, enquanto os faialenses estão sem saber a qual deles pedir contas de promessas com barbas a embranquecer, e sem juros …

Rei há só um

Padre Delmar, sacerdote que fiquei a conhecer aquando do assaz concorrido funeral do inesquecível futebolista Eusébio, e que tarde chuvosa, por sinal em Dia de Reis, não afastou ninguém de acompanhar o Rei à última morada terrena.

O referido Sacerdote participava nas exéquias fúnebres que constituíram grandiosa homenagem nacional e a que se associaram o Chefe de Estado e altas figuras representativas da vida portuguesa, sendo de salientar também a extraordinária cobertura dada pela comunicação social, sobretudo pela televisão.

Assim, tivemos a oportunidade de ver e ouvir o Padre Delmar, benfiquista e fã do “Pantera negra”, em breve entrevista televisiva contar o seguinte episódio:

Quando, certa vez, acompanhando a equipa encarnada a convite do presidente, dirigiu-se a Eusébio dizendo: finalmente tenho o gosto de viajar com o Rei.

Resposta imediata: Rei há só um, logo acrescentando: então o Senhor Padre não sabe que é O que lá no alto abraça Lisboa?

E concluiu a entrevista: o Eusébio sempre nos surpreendia …

Excesso de “burocracia

já nos temos referido nestes tópicos ao excesso de burocracia que, embora venha sendo ultimamente reduzida no papel, parece difícil tirá-la da cabeça das pessoas.

Desta feita um desabafo a jornalista deste semanário, Maria Pinheiro, por Luis Moisão, novo proprietário do conhecido restaurante “Salgueirinha” na Feteira que, do Continente, veio estabelecer-se no Faial.

E pelo que lemos ficámos a saber que sempre trabalhou como cozinheiro na restauração em Lisboa, e que vai apresentar como novidade entre nós: o cliente poder trazer um bom vinho que tenha em casa, de oferta, aguardando ocasião para o abrir, apenas lhe custando uns dois euros.

Um outro pormenor, este quanto a pratos gigantes (o adjectivo é nosso), o empresário ironiza: mas com pouco lá dentro…

Negativamente, um senão: o excesso de burocracia. Na verdade, um obstáculo tanto mais incompreensível no tempo que passa, em que os empresários precisam de facilidades, como do pão para a boca.

Hospital da Horta sem Patrono! Porquê ?

Não sei, mas acho estranho ser o Hospital da Horta o único dos três açorianos a não ostentar o nome de um Patrono!

No caso, religioso, à semelhança dos congéneres: de Santo Espírito, desde sua centenária fundação em Angra do Heroísmo, e do novo em Ponta Delgada: do Divino Espírito Santo.

Até teríamos uma sugestão, mas deixamo-la para quem de direito escolher Patrono, fazendo, porém, votos que não espere para o Dia de Santa Engrácia para o igualar aos das outras ex-capitais de distrito.

E para tanto nem precisa de mais valências nem euros…

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!