Mais uma eleição, a 10ª. Até agora realizada ao Parlamento Regional, sedeado na Horta, a Atenas Açórica, como já ouvimos chamar, e quiçá com propriedade.
É que, sendo São Miguel o berço da Autonomia, o Faial será a ilha que mais se salientava pelo espírito democrático de sua gente.
Recorde -se a admiração de personalidades das outras capitais em visita à Horta, na primeira metade do século XX, ao ver nas então animadas festas veranis, promovidas à noite pelos três clubes citadinos, doutores ou criadas a dançar sem complexos de classes com seus pares e em franco convívio,
Mas entrando no tema do escrito, isto é, o acto eleitoral de 14 de Outubro, porventura com participação recorde de forças políticas: nada menos de doze, entre Partidos e Coligações, talvez por à dúzia ser mais barato, nanja para as finanças regionais.
Aliás, coisa de somenos importância para a governação rosa que continuará bem instalada no Palácio da Conceição na “capital dos Açores”, como proclamava em tempos cabeça de lista centrista, pagando eu as favas perante meus amigos na Horta, a “capital do Faial”, em tentativa de consolo a natural refilanço pelo telefone.
É, certo que a vitória clara dos laranjas nas nacionais de 2011, voltando aos 3-2 e apenas derrotados no Corvo, dava-lhes a esperança, quiçá quase a certeza de voltarem ao poder nos Açores.
Contudo a divulgação dias antes de sondagem assaz favorável aos rosas veio pôr água na fervura, embora não viesse a causar surpresa a maioria absoluta obtida pelo PS, com mais 11 deputados do que o PSD, Partido este que aumentou em mais dois parlamentares sua representação na A.L.R.A.
Naturalmente que à tona de água vieram os megalómanos empreendimentos como Portas do Mar e Scuts de ponta a ponta na maior ilha, a confirmar o ditado de quem está perto do lume (Governo) é que se aquece.
E também a onda de reacção popular, que vem inundando Portugal do Minho ao Algarve, nanja tão inocente como alguns queiram fazer parecer, não deixou de causar estragos na Direita, apesar da tentada defesa de seus líderes.
Recorde-se ainda que no ano de 96, o CDS guindou a fiel de balança em consequência de o PSD, com os mesmos votos (24) do PS, ter preferido passar para a oposição, numa decisão, que ficará para a história da nossa Autonomia, logo aproveitada por Carlos César, não se fazendo rogado em agarrar o poder para não mais o deixar.
E não o fez com as duas mãos, já que uma foi para acordo de cavalheiros com a dupla José António/Alvarino, que se ficou apenas por apoio parlamentar a programa com importantes princípios da democracia cristã.
Embora de pouca dura, foi suficiente para dezasseis anos felizes no Palácio de Santana, agora de porta aberta a delfim escolhido por qual imperador romano.
A tudo isto fizemos referência em Abril, chegando mesmo a pensar na possibilidade de segunda coligação de direita quiçá até em momento mais propício, se bem que não terão passado de boatos intenções falhadas, posteriormente divulgadas nesse sentido.
Agora foi deveras sintomático o caso do Corvo em que o PSD terá preferido apoiar o PPM por o CDS não lhe ter dado o primeiro lugar em lista conjunta.
Duma forma ou doutra foi pedra em sapato, tendo-se de contentar com a ilha branca que lhe tem sido sempre graciosa.
Todavia, grande parte do eleitorado, ainda de barriga quase cheia foi mesmo em cantigas, votando maioritariamente nos rosas que ganharam não só em votos mas também em abraços e beijos, e ainda em palmas a fazer lembrar os companheiros da alegria.
E o resultado está ai bem à vista, isto é: os ricos a crescer, os pobres a definhar, a abstenção a aumentar acima dos cinquenta (50) por cento e até a ajuda da (des) compensação que foi mãe e madrasta.
Não estando ainda a meio da tabela, quando toca a rebate nas duas hostes fidalgas, qual torneio medieval, o CDS, sem entrar propriamente na contenda, tem sido sempre o Partido mais atingido pela “eterna”’ bipolarização que desta feita foi deveras agressiva, só não se prometendo Marte por a Lua já estar em lista de espera, a transbordar de rosas e laranjas.
Liderado por Artur Lima, que se ufana, com razão, dos bons projectos apresentados pelo seu Grupo parlamentar e aprovados na Assembleia, o conhecido político naturalmente que se sentiu desgostoso por ter ficado apenas com 3 deputados, com a perda dos de São Miguel e Flores, a descida de votação na Terceira, onde na véspera um comício juntara em grande salão 1.200 apoiantes, e ainda a fraca votação no Faial muito embora a lista, encabeçada por ilustrada faialense, apresentasse medidas necessárias para solucionar os problemas que vem travando o desejado desenvolvimento da ilha.
Pela positiva, São Jorge, o baluarte democrata cristão surgido em 1976 com o pioneiro e saudoso Rogério Contente; o Pico, com a sua maior votação até hoje – 596, à beira dos 600 para o que muito contribuiu um jovem licenciado picoense,pressagiando auspicioso futuro, e o Corvo, a ilha que famoso carteiro pôs no mapa continental, faltando apenas acrescentar ao atrás dito, que João Greves continua lutando contra gregos e troianos…
E passando à realidade açoriana, terminamos com uma coisa nunca lida nem ouvida mas que dá para pensar: é que por este andar estaremos condenados a continuar com uma alternância com barbas, ainda por cima de 4 em 4 anos, ou até mais se o PS não perder a embalagem.
Por sinal, já é uma autêntica contradição às apregoadas virtudes da democracia.
À margem
Parece-nos estar a ver, nas bancadas de São Bento, os conhecidos parlamentares laranjas, e a ouvir Mota Amaral a segredar a Joaquim Pontes: Olha do que nos livrámos…











