Início Artigos de opinião Armando Amaral Opinando objectivamente – FLA – Ainda papão?

Opinando objectivamente – FLA – Ainda papão?

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Por sinal, a 6 de Junho, em véspera do Verão Quente, propriamente dito, de 1975, havia chegado a Ponta Delgada, ido da Horta para assistir a uma Conferência de Imprensa promovida pela SATA.

Recordo ainda que, nessa tarde, ao dirigir-me para as instalações da Transportadora açoriana, vi, em praça central, apenas um burrico ostentando na cabeça vistoso chapéu de palha, não me lembrando, porém, se cavalgado ou se por popular segurado, o que me causou certa estranheza, por anunciado movimento de protesto pela FLA. organizado.

Mas assaz admirado fiquei quando à noite ouvi notícia de milhares de manifestantes frente ao Palácio do Governo Civil, de que resultou a demissão do Dr. Borges Coutinho e também a prisão de uma dúzia de personalidades micaelenses:, enviada para a Cadeia de Angra, quiçá mais por medida de precaução.

Nessa altura o já então conhecido líder José de Almeida encontrava-se na América, com vista à internacionalizão da FLA, não tendo assim acompanhado os correligionários patrícios na forçada estadia na Terceira, ordenada pelo Gen. Altino Magalhães.

A propósito, um ano depois, em companhia do saudoso amigo da juventude Carlos Meneses, participei em numerosa romagem ao cemitério de Ponta Delgada de homenagem póstuma aos primeiros autonomistas, precisamente a 6 de Junho, dia que continua a ser lembrado, como, aliás, este ano também aconteceu quiçá com maior realce.

E tive ainda a oportunidade de conhecer pessoalmente o convicto independentista com quem travei longa e interessante conversa na sua livraria no centro citadino.

Naturalmente que o assunto primeiro foi a situação política açoriana, registando a douta argumentação do Dr. José de Almeida, embora nem sempre concordante, mas respeitando-a.

Passados todos estes anos, ainda penso como então pensava: Se Portugal continental tivesse caído nas garras soviéticas, a solução para os Açores seria, sem dúvida, a Independência.

E agora até estou de acordo com o que li, isto é, quando diz que a Autonomia, além de “desgastada” está a “desunir as ilhas”, e que “os partidos políticos não defendem os Açores apenas olham para os seus umbigos”, ressalvando que não há regra sem excepção.

Mas voltando à FLA, achamos que, nos primeiros anos do novo regime autonómico, constituiu um bom trunfo, qual “papão” a que Mota Amaral, mentor, como diziam, dos respectivos estatutos, sempre recorria quando se tratava de fazer exigências ao republicano Terreiro do Paço.

Se bem que tal facto já não aconteceu com Carlos César, uma vez que os tempos passaram a ser outros, como os ventos são de outra banda, mesmo relativamente a independências…

Sobre a actual Autonomia, não posso deixar de discordar vivamente das medidas que dividem a Região pela Fossa da Hirondela qual Tratado de Tordesilhas açórico e das prioridades levadas a efeitos pelas Governanças laranjas e rosas.

Mudança de mentalidades com o desaparecimento de megalomanias e o surgimento de um verdadeiro espírito de unidade visando o desenvolvimento harmónico das nove ilhas, seriam, em nosso entender, a solução para os Açores, quiçá indo ao encontro do pensamento dos autonomistas de ontem e de hoje.

E quanto à FLA deixamos aos leitores a resposta à seguinte pergunta: Ainda papão?

Aliás, a minha parece-me já ter sido dada.

 

 

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