BENTO XVI
1 Com vivo interesse sempre tenho recebido a eleição de novo Papa que, para mim, é em primeiro lugar o sucessor do Apóstolo São Pedro.
Assim aconteceu com o Cardeal alemão Ratzinger em 19 de Abril de 2005, a quem João Paulo II confiara a ingrata missão de presidir à Congregação da Doutrina da Fé, o que terá tido influência na sua eleição.
Bento XVI, então de idade algo avançada, não foi um Papa de transição, antes de consolidação, com personalidade bem própria, começando até no nome escolhido e acabando na inesperada resignação, considerada como um acto de grande coragem quer por há 600 anos que tal não sucedia quer por constituir um antecedente com repercussão no futuro.
Ei-lo pois sem complexos a repetir iniciativas de indiscutível alcance do seu carismático antecessor, tais como: Encontro Ecuménico de Assis; Jornadas Mundiais da Juventude; Peregrinações a famosos santuários marianos; Encontros Mundiais das Famílias…
Médio Oriente, primeiramente em fins de 2006, a convite de Bartolomeu I, Patriarca de Constantinopla, visando a Reconciliação dos Ritos cristãos do Ocidente e Oriente; um dos objectivos do seu Reinado era a cura do “Cismo de 1054”.
E, em Maio de 2008, à Terra Santa, a convite do Patriarca latino de Jerusalém, tendo oferecido um monumental baixo-relevo (Árvore de Jessé) para a Basílica da Natividade.
Cunho especial teve a visita à Polónia e Croácia, em Maio de 2006, com passagem pela terra natal e lugares queridos de João Paulo II.
Duas viagem foram, porém, históricas:
– à Grã -Bretanha, em Setembro de 2010, a convite da Rainha Isabel II que o recebeu à sua chegada a Edimburgo. Aliás, a primeira dum Papa desde que Henrique VIII rompeu com Roma em 1534. Teve um encontro com o Arcebispo de Cantebury e participou numa Celebração Ecuménica na Abadia de Westminster. (A visita em 1982 de João Paulo II foi apenas de carácter apostólico para canonização do Cardeal Newman).
– aos Estados Unidos, onde foi recebido pelo Presidente George Bush, em Abril de 2008, no aeroporto de Washington DC, numa visita de seis dias. Em New York voltou a celebrar Missa, desta feita, no Yankee Stadium. E discursou na ONU.
Presidir à V Conferência Geral do Episcopado da América Latina foi principal razão da viagem ao Brasil, em Maio de 2001, sendo outra, não menos importante, a canonização de Frei António Galvão, um Franciscano do século XVIII que fora beatificado pelo seu antecessor. E na noite de 12 esteve no conhecido santuário da Aparecida.
Mariazelle foi outro santuário mariano visitado onde celebrou Missa comemorativa dos 850 anos da Igreja da Áustria, fundada em 1157, efeméride ocorrida no dia seguinte à sua chegada a Viena a 7 de Setembro de 2007, sendo recebido pelo Presidente Fischer. Naquele país rezou com autoridades judaicas pelas vítimas do Holocausto.
A viagem à França coincidiu com o 150º. aniversário das Aparições em Lourdes onde se recolheu em frente à Gruta de Massabielle. Em Paris fora recebido na manhã de 12 de Setembro de 2008 em Orly pelo Presidente Sarkozy e esposa Carla Bruni. No Collège des Bernardins teve um encontro com o “mundo” da Cultura, e nos Inválidos celebrou Missa em que, como em todas, participaram milhares de católicos. Na cerimónia de despedia no aeroporto de Tarbes esteve o 1º. Ministro François Fillion.
A 2ª. quinzena de Março de 2009 foi dedicada à África – Camarões e Angola onde foi celebrado o 500º. aniversário da Evangelização da antiga colónia portuguesa.
Em Abril do ano seguinte assistiu em Malta às comemorações do 1950º. aniversário do naufrágio de São Paulo no mar maltês, visitando em Rabat as catacumbas do evangelista.
E em Abril de 11 de Maio de 2010 chegou a Portugal, agora como Papa. Na recepção na Portela pelo Presidente Cavaco Silva, lembrou em seu discurso ter sido um sucessor de São Pedro a arbitrar favoravelmente o reconhecimento da Nação portuguesa. E na Missa, celebrada à tarde no Terreiro do Paço repleto de fieis, salientou na homilia a sentença do Cardeal Cerejeira: “Não foi a Igreja que impôs Fátima, mas Fátima que se impôs à Igreja”.
Na manhã seguinte foi o encontro com a gente da cultura no Centro de Belém, a quem Bento XVI, após abraçar Manuel Oliveira e agradecer a saudação do centenário cineasta, dirigiu palavras elogiosas e dizendo a terminar: “Fazei coisas belas , mas sobretudo tornai as vossa vidas lugares de beleza”.
Véspera e dia 13 foram dedicados a Fátima: Orar na Capelinha das Aparições; Procissão das Velas, Concelebração no Santuário; Bênção aos doentes e Procissão do Adeus, com o amplo espaço transformado num mar de lenços brancos.
E a viagem terminou a 14 com visita ao Porto, Missa na Avenida dos Aliados e despedida no aeroporto.
Em Novembro do seguinte a viagem à Alemanha, merecendo referência a visita ao Mosteiro onde viveu Lutero.
E em Março de 2012 desloca-se ao México e a Cuba sendo o Libano, em Setembro, o último país a ser visitado por Bento XVI.
É que, em primeiros dias de Fevereiro, anuncia resignação para o fim do mês.
Terminaria assim o Pontificado dum bom Pastor que tudo fez para trazer ao santo redil ovelhas tresmalhadas.
E suas elevadas qualidades, constituindo invulgar triologia – Intelectual, Místico, Pianista – serão, com certeza, divina companhia na última etapa de vida terrena, passada em semiclausura de oração pela Igreja de Cristo.
à margem
Na feitura deste tópico, tive de recorrer à “Internet”, mormente a datas e algumas passagens relativas às viagens pastorais e de Estado.

O João Paulo II e o Cardeal Ratzinger seu braço direito como guardião da Doutrina da Fé
2 Há quatro anos estive na Horta a participar nas comemorações do Centenário do Fayal Sport que, como se esperava, decorreram com o brilho à altura da memorável efeméride.
E soube então que ascendia a meio milhar o número de jovens atletas verdes a praticar o desporto, especialmente Futebol e Basquetebol, duas modalidades com tradição no Clube da Alagoa.
Pois agora tive o gosto de apreciar o bom fruto dum trabalho de anos, com os “Iniciados” no desporto-rei a sagrarem-se, em Ponta Delgada, Campeões Regionais inter-clubes representativos das ex-capitais de Distrito.
Aliás, uma vitória que nem chegou a ser ensombrada pelo improcedente recurso do União Micaelense, um Clube que, no meu tempo, era merecidamente elogiado pelo seu desportivismo.
3 Com 76 anos de idade e após grave doença faleceu, em fins de Janeiro, o Capitão de Abril, Jaime Neves, membro destacado da Revolução dos Cravos, embora tido como o “patinho feio” pelos então “estrelados generais de aviário”, naturalmente por não ter embarcado no bote vermelho.
Recorde-se que foi ele quem chefiou os célebres Comandos no 25 de Novembro de 75, pondo termo ao gonçalvismo que, nesse “Verão Quente” ameaçava o próprio movimento militar.
Em justo reconhecimento foi depois condecorado por Mário Soares quando Presidente de Portugal, e já reformado é nomeado Major-General, pelo Presidente Ramalho Enes que fora figura saliente no dito golpe militar.
Uma distinção a causar engulhos a Vasco Lourenço e companhia que ficaram a marcar passo, mas sem estrelas verdadeiras.
E o concorrido funeral constituiu mesmo um indiscutível testemunho do geral apreço pelo Capitão de Abril, Jaime Neves.













