Oportunidades na cooperação com o Canadá

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Na semana passada participei na 39.º Reunião da Interparla-mentar União Europeia – Canadá. No encontro representaram o parlamento europeu 12 eurodeputados, que tiveram oportunidade de debater com congressistas e senadores canadianos questões como o acordo de comércio livre (CETA), as imigrações, as alterações climáticas e os oceanos. A iniciativa iniciou-se no parlamento Canadiano, em Otava. Após uma parte mais político-institucional, deslocamo-nos para a costa Oeste, British Columbia e Victória, onde visitamos instituições de investigação universitária, hubs de inovação tecnológica e industrial, tendo também reunido com a câmara do comércio.
Na primeira parte tive oportunidade de intervir no debate acerca do CETA sobretudo para referir a importância daquele acordo e o papel que os Açores têm assumido ao longo do tempo no estreitamento das relações políticas e comerciais entre União Europeia e o Canadá. Na verdade, e não é a primeira vez que o digo, afirmei-o no dia dos Açores de 2016 que celebrei junto da nossa comunidade emigrante em Toronto, os canadianos de origem açoriana, quer os de primeira geração quer os de segunda e terceira, são verdadeiros embaixadores de Portugal e dos Açores. Orgulham-se das suas origens açorianas e europeias e enaltecem frequentemente a qualidade do que se produz nos Açores. São, em virtude disso, a melhor promoção que uma região como os Açores pode ter, porque falam com conhecimento de causa. Realcei, porque é para mim uma questão verdadeiramente importante e evidente, o prestígio da comunidade açoriana no Canadá bem patente nos inúmeros portugueses e seus descendentes que desempenham funções políticas de grande responsabilidade no Canadá.
Uma das vantagens daquele acordo de comercio livre é a protecção dos produtos de origem geográfica certificada, como é o caso do queijo de São Jorge. É certo que há muito trabalho ainda a fazer no sentido de intensificar as trocas comerciais entre os Açores e o Canadá mas muito já tem sido feito no sentido de aproveitar ao máximo a janela de oportunidade está a ser aberta pelo CETA que, estou em crer, impulsionará as exportações açorianas. Promoção é necessária. Em Vancouver, onde também me encontrei com a cônsul de Portugal naquela província Canadiana Maria João Boavida, participámos numa iniciativa organizada pela poderosa Câmara do Comércio de Itália de promoção dos seus produtos de IGP e DOP.
Ainda na costa oeste a delegação foi recebida na Universidades da British Columbia e de Victoria. Na visita ao Canada Oceans Network da Universidade de Victoria, estiveram em particular ênfase o aprofundamento da cooperação entre o Canadá e a UE no contexto dos observatórios dos fundos marinhos, onde foi realçado as sinergias que vêm sendo desenvolvidas há já vários anos entre o observatório Neptuno, na crista oceânica ao largo de Vancouver, e o observatório MoMAR nos Açores. Enquanto porta voz para os Oceanos no âmbito da delegação que esteve no Canadá defendi que este é o tempo para dar seguimento ao trabalho de alto nível que tem sido realizado e que teve recentemente um dos seus momentos mais significativos, com a visita do Primeiro-Ministro de Portugal e de Vasco Cordeiro, Presidente dos Açores, ao Canadá. Aqueles encontros com a comunidade lusa, com o Primeiro-Ministro Trudeau e restante administração Canadiana foram um ótimo tónico para o muito que podemos fazer nas relações com o Canadá. 

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