Os 25 anos de Encontros Filosóficos (O princípio de uma aventura criadora)

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Há vinte e cinco anos que um grupo da então Escola Secundária da Horta se reuniu na Sociedade “Amor da Pátria”, durante três dias, para debater problemas filosóficos. Nesse tempo, os Encontros Filosóficos constituíam um desafio cultural significativo para a escola e para a cidade da Horta, porque, tal como hoje, eram abertos à comunidade, mas a oferta de bens culturais era muitíssimo menor.
A ideia dos Encontros Filosóficos surgiu, todavia, no ano letivo 91-92, isto é, há 26 anos, com o docente Mário Cabral, quando realizava o seu segundo ano de estágio na Horta. Recordo que participei no seu projeto, com um grupo de alunos de Sociologia. Ele encenou a peça de teatro que criámos, a partir dos sonetos de Antero de Quental. No labirinto da memória ainda vejo o cavaleiro andante a cavalgar “por desertos, por sóis, por noite escura”; o poeta sentado no banco do jardim de S. Francisco, antes de se fundir com o infinito; as árvores do jardim antropomorfizadas e a Morte a rondar, assombrada, o poeta. Em 2017, foi a vez deste outro poeta ser visitado pelo anjo e deixar um vazio enorme na literatura açoriana contemporânea.
Mas porque fazem 25 anos os Encontros Filosóficos? Como diria Sócrates, o ateniense, apenas uma pergunta pode responde a outra pergunta. Por que razão insiste uma Escola Secundária periférica em pensar os problemas do mundo, as metáforas da criação, a realidade, a própria vida? Por que razão insiste em envolver os alunos nos debates, mesmo quando eles estão cada vez menos disponíveis a participar, seja pela exigência letiva, seja pela falta de interesse pelo conhecimento? Por que razão, as dificuldades e os obstáculos de vária ordem, que foram surgindo ao longo destes anos, não nos esgotaram a energia? É muito simples a resposta: a experiência. O princípio de uma aventura criadora constitui sempre uma experiência de abertura à (im)possibilidade. A força criativa gera novas forças que, por sua vez, geram novas ideias, novas vozes – a transformação. E sempre que se abre uma porta, esta abre outras portas que dão ainda para outras portas que estão por abrir.
É esse o desafio que é lançado hoje, à Escola Secundária Manuel de Arriaga. Que nos anos vindouros aceite o desafio da transmutação do olhar e do fazer; que novas mãos se abram ao tempo novo e a novas paisagens.

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