Os Açores à frente do partido: da teoria à prática

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O povo saiu à rua, numa manifestação espontânea por todo o país, para dizer BASTA às medidas extremamente gravosas, irrefletidas e contraproducentes do Governo de Pedro Passos Coelho. As últimas medidas de austeridade apresentadas aos portugueses são de uma violência desmesurada. Estamos perante um Governo mais troikista que a Troika, que infelizmente continua a cortar onde é mais fácil, nos rendimentos de quem trabalha.  Este Governo está a aumentar de forma assustadora o nível de pobreza do País, chegando ao ponto de ser o primeiro Governo da nossa história, que diminui o valor líquido do salário mínimo. Não percebe que está a colocar a economia portuguesa num fosso sem saída. E vêm com um ar muito cândido para a televisão tentar convencer os portugueses que agora sim, que estas são as medidas certas para dinamizar a economia. Como? Se as anteriores falharam, e estas, são muito mais recessivas, como é que irão resultar?

De todos os quadrantes políticos produziram-se logo severas manifestações contra as medidas apresentadas. Desde reputados militantes do PSD, até membros do próprio Governo. Dos militares, a todos os comentadores da área política e económica. Desde magistrados a membros da Igreja. Dos trabalhadores ao patronato. Até os que supostamente beneficiariam da medida, como as grandes empresas/indústrias, vieram manifestar-se contra. Não se encontra um único economista que se reveja nestas medidas. Manuela Ferreira Leite, economista e anterior líder do PSD, afirmou “Se continuamos a insistir nesta receita, que não está a dar resultados, quando chegarmos ao fim o País está destroçado”; Bagão Félix, antigo ministro das Finanças do Governo PSD-CDS, referiu mesmo que a austeridade chegou aos “limites insustentáveis do decoro ético”. Ou seja, parece que apenas o Primeiro Ministro e o seu Ministro das Finanças, acreditam que estas medidas trarão por fim os resultados esperados, permanecendo completamente isolados nessa ideia.

O povo manifestou-se de uma forma clara e massiva em todo o país. O tom das críticas e o desespero presente nos depoimentos que ouvimos nas televisões são indicativos do forte e generalizado cartão vermelho que foi apresentado ao Governo.

Na Região a condenação a estas medidas foi imediata. Infelizmente não por todos. Berta Cabral remeteu-se ao silêncio, sendo que a primeira reação pública do seu partido, surgiu apenas alguns dias depois do anúncio das famigeradas medidas, trabalho esse que coube ao presidente dos Trabalhadores Socais Democratas (TSD). Referiu que não se identificavam com as medidas, mas que reconheciam a sua necessidade, passando a maior parte da sua intervenção a culpar o anterior governo da República. Tendo em conta as reações extremamente negativas que se fizeram sentir, a líder do PSD na Região viu-se obrigada a reagir, tendo-o feito apenas uma semana após o anúncio das mesmas. Veio então dar a entender que era contra as medidas e, tentando desviar as atenções, apresentou um pacote de “corte de mordomias”, que na sua maior parte já tinham sido anunciadas por várias forças políticas da Região.

Mas a questão que se coloca é: se Berta Cabral é verdadeiramente contra, porque não anuncia que os deputados do PSD-Açores na República, irão votar contra essas medidas, como já afirmou o PS-Açores, antes mesmo de saber a decisão do partido a nível nacional? É fácil perceber porquê! Não seria esta uma boa oportunidade para mostrar que os Açores estão acima do partido, ou será esta apenas uma frase feita em altura de eleições? 

Cabe aos Açorianos decidirem se querem à frente dos destinos da nossa Região um partido que já deu provas no passado de proteger os Açores, seja qual for a cor política na República, ou se querem alguém, como Berta Cabral, que hesita nos momentos essenciais, tendo mesmo já afirmado que “Pedro Passos Coelho é o Primeiro-Ministro que Portugal precisa e que os Açores merecem.”

 

 

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Horta, 17 de setembro de 2012

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