NOTAS ESTIVAIS

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OBRIGAÇÕES DE SERVIÇO PÚBLICO NO TRANSPORTE AÉREO

Nem sempre é fácil a quem tem responsabilidades lutar contra a primeira impressão que um assunto suscita na Opinião Pública. Foi o que aconteceu recentemente com a questão da divulgação das novas Obrigações de Serviço Público no transporte aéreo entre Lisboa e os Açores. Uns ofuscados pela redução dos preços nas ligações e outros pela miragem da liberalização nalgumas rotas, levaram a que se tivesse criado uma onda de otimismo tal que não deixou (e ainda não deixa) espaço para uma reflexão mais profunda, que vá mais além destas questões imediatas e que procure avaliar, não só as implicações destas decisões no futuro das ligações áreas entre cada uma das gateways existente e o Continente, mas também o próprio futuro do modelo das ligações inter-ilhas e respetivos preços. E isto para já não falar das implicações de tudo isto no futuro do turismo nos Açores e na própria SATA, que não poderá, por exemplo, continuar a manter os mesmos preços inter-ilhas.

Por isso, sem desmerecer o modelo encontrado, sem pôr em causa que possa ser, no momento, a solução mais equilibrada, temos muitas dúvidas sobre aquele que vai ser o seu efetivo efeito na continuidade da maioria das gateways existentes. Se já hoje, sem a liberalização anunciada, por exemplo, muitos cidadãos do Faial viajam, com tarifas promocionais do Faial para Lisboa, via Terceira, a preços significativamente mais baixos do que se fossem nos voos diretos, então o que acontecerá com a entrada em vigor deste novo modelo? E que implicações isso terá na manutenção da gateway da Horta? E como será depois o Aeroporto da Horta?

Mais do que críticas ou elogios apressados, a prudência exige um compasso de espera para que se saiba mais sobre o novo modelo e então se avalie se os receios ou os contentamentos têm ou não fundamento e se aquilo que se anunciou é tão bom como se quer fazer crer.

 

UMA OFENSA A QUEM PAGA IMPOSTOS 

Quem percorre por estes dias Portugal Continental depara-se com um espetáculo inusitado: a proliferação, pelas principais cidades, de enormes cartazes a publicitar as eleições primárias do Partido Socialista.

Esse facto, só por si, não mereceria especial consideração. Mas, sabendo-se, como se sabe, que os partidos políticos são financiados pelo Estado, a conclusão é óbvia: somos todos nós, com o nosso trabalho e com os nossos impostos, que estamos a pagar essa mega campanha propagandística socialista. O mesmo acontece com as campanhas eleitorais para as várias eleições, é certo, mas aí pelo menos todos concorrem. Agora, sermos todos nós a pagar a campanha interna em curso do PS, com esta ostentação, parece-me ser bem o exemplo do ponto de insensibilidade e de inconsciência a que se chegou dentro dos partidos, face às exigências e aos sacrifícios que foram e estão a ser pedidos a todos os cidadãos. Uma verdadeira ofensa!

 

MAIS DO MESMO

Os militantes do Partido Socialista estão em processo de escolha do seu novo líder, dando de si o espetáculo diário que todos nós somos obrigados a assistir nas televisões.

Mas, pior do que isso, é o drama de irmos concluindo que, afinal, os candidatos são duas almas gémeas.

De António José Seguro já sabíamos que, por detrás daquele olhar inseguro, jazia um deserto de ideias e um florido jardim de lugares-comuns, feito da repetição das ideias da moda.

Mas de António Costa, apresentado como o líder-nato, o homem da “inteligência” do Partido Socialista, afinal, de desilusão em desilusão, vamos concluindo que o vazio e a falta de profundidade marcam as suas declarações. 

Atentemos apenas nestes exemplos paradigmáticos de declarações por ele proferidas: 

a) “Não há crescimento sustentável com endividamento, mas também não há crescimento sustentável com empobrecimento” (?!); b) “O problema não é o excesso de licenciados, mas a falta de empregos para licenciados” (?!!); c) “Não é a dívida pública que explica esta crise” (?!!!); d) É preciso “não sacrificar a visão estratégia para o país àquilo que são as necessidades de curto prazo. Estas naturalmente têm de ser satisfeitas, mas nunca esquecendo qual é o sentido e visão estratégica que temos para o futuro” (?!!!!).

O que é dramático é que a alternativa que os Portugueses terão ao seu dispor, por parte do PS, se reduz, infelizmente, a isto!

 

 

 

 

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