Pandemia devia ser lição para aumentar o investimento no Serviço Regional de Saúde

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DR/BE
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A pandemia devia servir de lição para a necessidade de se reforçar o investimento no Serviço Regional de Saúde, mas o PS insiste em entregar dinheiro público a projetos privados que olham para a Saúde apenas como um negócio.

Se viermos a assistir à “formalização de convenções com o novo hospital privado da Lagoa, enquanto os hospitais públicos continuam depauperados de recursos, esse será o sinal definitivo da continuação da senda de políticas de direita que mantém o Serviço Regional de Saúde ligado às máquinas ou aos negócios com os privados”, disse o deputado Paulo Mendes, no debate de urgência sobre Saúde realizado hoje no parlamento.

O Bloco de Esquerda defende que é necessário dotar o Serviço Regional de Saúde de “mais recursos e descentralizar a sua ação numa lógica de verdadeiro serviço público de proximidade e enquanto fator de um modelo de desenvolvimento harmonioso da Autonomia”. “As convenções não podem ser o futuro do Serviço Regional de Saúde, numa espécie de outsourcing gradual de cuidados de saúde”, disse o deputado do BE.

Paulo Mendes deu mais um exemplo daquilo que é a opção do PS de beneficiar os privados em detrimento do investimento público: o presidente do Governo Regional chegou a anunciar a instalação de um laboratório no Faial para a análises de despiste à Covid-19 que estaria a funcionar no passado mês de agosto, mas esse prazo falhou, e entretanto a capacidade da Região para realizar testes à Covid-19 será aumentada através de um acordo com um laboratório privado.

“Enfim, lá voltaram os velhos hábitos” de optar por pagar a empresas privadas em vez de investir nos serviços públicos, lamentou Paulo Mendes.

O deputado do BE disse que “os açorianos comuns reconhecem, infelizmente, cada vez mais as fragilidades do SRS na própria pele” e referiu o caso concreto de uma utente cujo tempo máximo de espera por uma consulta foi largamente ultrapassado.

Além dos utentes, também os profissionais de saúde estão profundamente descontentes com a falta de investimento no Serviço Regional de Saúde.

Paulo Mendes mostrou no plenário uma imagem de um cartaz do PS com um enfermeiro sorridente, referindo que “o sorriso é real”, mas não será um acaso que se trate de um antigo membro do Conselho de Administração do Hospital da Ilha Terceira.

“Conseguiria, o PS, ter um Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica, um enfermeiro especialista não valorizado na sua carreira ou um enfermeiro com um contrato individual de trabalho num outdoor a proclamar que para a frente é que é caminho?”, desafiou o deputado do BE.

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