Pedrada no Charco III

0
13

Somos unanimes em afirmar que a televisão transformou substantivamente o quotidiano do ser humano. O desporto, mais concretamente o futebol, não ficou alheio a esta lógica mediática da televisão. Para os mais atentos ao futebol regional/local é fácil constatarem as influências que advêm da “caixa que mudou o mundo”, desde logo pelas irrealistas “imitações” que muitos treinadores locais tentam colocar em prática, optando por seguir linearmente e fielmente métodos e modelos do treinador y ou do clube x em realidades completamente distintas.

Concretamente o treinador não tem a noção/sensibilidade do que está a exigir e o que tenta implementar é completamente inadequado e inexequível, pois persiste em colocar em prática “imitações” completamente descabidas. O mais grave é que muitas vezes o próprio treinador está de tal forma imbuído nessa utopia de “imitação”, que não possui o discernimento/lucidez necessários para “descer” à realidade onde está inserido, de forma a elaborar um plano de trabalho com objectivos bem definidos e claros, tendo por base o perfil dos atletas que dispõe, bem como o meio sócio-cultural aonde estão inseridos e o mais importante, ter a consciência de que lida com atletas não profissionais. Por norma, é sabido que todos os treinadores gostam de dar o seu cunho pessoal à equipa, criando um grupo de trabalho à sua imagem e apresentando equipas que pratiquem “bom futebol”. No entanto creio que o mais importante no futebol regional/local passa claramente por uma conjugação de factores, tais como: a constatação do meio físico e da realidade sócio-cultural do grupo de trabalho. Sem descurar a componente desportiva e tudo o que está inerente à parte técnica do treinador, o mesmo deve claramente optar por ser o mais realista possível, evitar “imitações utópicas”, preparando treinos adequados e exequíveis e com aplicabilidade directa na competição, em função do leque de atletas que tem em mãos.

São cada vez mais os treinadores que irrealisticamente continuam a querer vingar no meio futebolístico regional/local de forma “cega”, contribuindo dessa maneira para o abandono precoce da modalidade por parte de alguns atletas, noutros casos culminam em actos de indisciplina, que infelizmente têm sido férteis nos últimos tempos em vários campos da região.  

 

 

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO