Percursos pedestres

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Os percursos pedestres, mais frequentemente designados como trilhos, são uma estrutura linear da paisagem que tem como função a recreação e o turismo e que aproveita frequentemente os antigos caminhos tradicionais e históricos para dar a conhecer as paisagens, história e cultura de um determinado lugar. Os percursos pedestres podem encontrar-se em áreas protegidas, e se corretamente integrados no meio natural podem funcionar como fator catalisador do desenvolvimento sustentável de uma região através da aproximação das pessoas aos valores da sua paisagem.
Os percursos pedestres podem ser agrupados de acordo com a sua forma, extensão e grau de dificuldade. Relativamente à forma os percursos podem ser circulares ou lineares. Nos percursos circulares o ponto de partida e de chegada é o mesmo sem que se tenham de repetir troços do trajeto. São mais cómodos para os utilizadores uma vez que as deslocações são facilitadas e contribuem para diminuir a pressão exercida sobre o ambiente. Diversos percursos circulares interligados podem permitir uma maior versatilidade de utilizações, diluir a carga humana e transmitir a sensação de que se percorre uma maior extensão do que na realidade se faz. Os percursos lineares são os mais adequados para longas distâncias e para quando se pretende unir diversos pontos de interesse.
Quanto à sua extensão, os percursos pedestres podem dividir-se em percursos de pequena e grande rota. Os percursos de pequena rota apresentam no máximo 30 quilómetros de extensão de modo a que possam ser percorridos num só dia. Os percursos de grande rota são superiores a 30 quilómetros e podem unir freguesias e cidades distantes entre si. Coincidem normalmente com caminhos tradicionais, permitem a interpretação de elementos com valor histórico e patrimonial e requerem geralmente mais do que um dia para a sua concretização.
A classificação quanto ao grau de dificuldade encontra-se assente em algum grau de subjetividade, uma vez que a dificuldade de um determinado percurso varia de pessoa para pessoa, já que depende da sua condição física. Porém, fatores como o desnível e a extensão do percurso, tipo de piso e estado do terreno, condições climatéricas habituais, informação e apoio logístico presente ao longo do trilho são considerados para se estabelecer o grau de dificuldade de um determinado percurso.
Em áreas protegidas é importante cruzar a informação da localização dos percursos com a presença dos ecossistemas mais significativos e raros. Assim, é importante que os habitats e espécies de maior valor, principalmente aqueles que fazem parte da Rede Natura 2000, se mantenham preservados e sem circulação interior, mas que a sua interpretação ambiental seja possível, mesmo que a alguma distância. Neste caso é necessário um cuidadoso planeamento dos locais de acesso público – percursos pedestres, passadiços e miradouros – onde se poderá observar aspetos relevantes da paisagem. Em alguns percursos pedestres poderá ser necessário estabelecer um limite máximo de utilizadores em simultâneo tendo em conta a capacidade de carga do próprio percurso, a sensibilidade dos ecossistemas atravessados e o conforto dos utilizadores. A utilização de contadores automáticos de pessoas poderá fornecer informação valiosa sobre a sua carga atual.
Por outro lado, é também importante garantir a satisfação dos utilizadores dos percursos pedestres, desde que essa utilização seja feita nas melhores condições tanto para os ecossistemas como para as pessoas, uma vez que essa satisfação contribui para a sustentabilidade económica da região. O fornecimento de diversas camadas de informação sobre a paisagem pode contribuir para o interesse de um percurso pedestre. A observação da flora endémica e das aves nativas e migratórias poderá ser um meio de trazer utilizadores aos percursos pedestres.

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