PISA: alunos açorianos no fim da tabela

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Chegados a mais um mês de dezembro, é altura de fazer balanços, as tais contas à vida, que permitem contabilizar sucessos e insucessos, e após reconhecer o que correu menos bem, elencar as resoluções de ano novo, com estratégias (mais ou menos realistas) das melhorias a realizar. Este exercício recorrente nas vidas de cada um, com maior ou menor rigor, devia ser seriamente adotado por quem tem responsabilidades de governação.
No que à educação diz respeito, o mês de dezembro trouxe motivos mais do que suficientes para olhar os resultados com olhos de ver e não com leituras políticas criativas e coloridas ao sabor do que interessa ou não destacar e, cuidadosamente, transmitir aos cidadãos.
Falo dos resultados do relatório PISA (2018), ou seja, Programme for International Student Assessment, desenvolvido pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), e que visa avaliar os alunos de 15 anos, que, na maior parte dos países participantes, já se encontram no final da escolaridade obrigatória, em relação a estarem preparados para enfrentarem os desafios da vida quotidiana, considerando as literacias nos domínios da leitura, ciências e matemática.
O referido relatório, apresentado trienalmente, colocou os alunos portugueses acima da média da OCDE, apesar de se ter verificado uma diminuição face a 2015.
Mas também deu a conhecer que os alunos dos Açores se encontravam no fim da tabela, com os piores resultados do país.
Esta situação em nada abona a nosso favor, mesmo que o Secretário Regional da Educação e Cultura tenha vindo desvalorizar os números avançados, utilizando como justificação o reduzido número de alunos avaliados e, como tal, afirmando que a amostragem não era fidedigna, uma vez que, somente 8 das 49 escolas e 137 dos 2118 alunos participaram no estudo, o que corresponde a cerca de 6,5% dos alunos da Região.
No entanto, e assumindo que não é a amostragem ideal, não deixa de ser um estudo a considerar, o que levou os diferentes partidos da oposição (e bem) a demonstrarem as suas preocupações na Assembleia Legislativa Regional, num debate de urgência promovido pelo PSD sobre o desempenho escolar dos alunos açorianos e onde foi lamentada a situação dos Açores se destacarem pela negativa e encontrarem-se cada vez mais afastados das médias nacional e da OCDE.
Contudo, a resposta do executivo foi a de desconsiderar, referindo que avaliar o desempenho regional da educação com base neste estudo “é um abuso filho da ignorância ou da maldade”, e ainda que apregoar o insucesso do sistema educativo regional “é uma mentira que apesar de muito repetida não se converte em verdade.”
Ora bem, questões políticas à parte, os valores falam por si: Portugal continental obteve 492 pontos, em cada um dos domínios da literacia: leitura, ciências e matemática, a Madeira alcançou 491, 482 e 483, respetivamente, enquanto os Açores obtiveram somente 443, 454 e 446 nos parâmetros atrás referidos.
A diferença é significativa e não deve ser menosprezada, assim como, não chega à tutela referir que a taxa de transição escolar tem vindo a aumentar ou que que os alunos em questão ainda não tinham beneficiado do programa ProSucesso, como forma de desculpar a situação em que nos encontramos.
É fundamental perceber as razões que levam os Açores a ocupar os piores lugares no relatório PISA, ao mesmo tempo que apresentamos elevadas taxas de absentismo e abandono escolar, ou médias mais baixas em provas nacionais, pois somente assim, encarando de frente os nossos insucessos e admitindo as nossas falhas se poderá começar a fazer a lista das resoluções de ano novo, onde se espera que não haja espaço nem para maldade e, muito menos, para ignorância.

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