Pela edição deste Semanário de fins de Maio, tomei conhecimento do surgimento de um grupo na rede social “facebook”, criado por Pedro Medeiros e denominado “Horta Património Mundial da Humanidade.
Fiquei a saber também que “A esmagadora maioria dos populares membros do grupo” era a favor.
Na verdade, nunca terei pensado em tamanha honra para a minha Cidade, e nenhuma linha, das milhares já escritas, a tal me referi, não deixando, porém, de aproveitar a ocasião para salientar que atributos sem conto não faltam à Horta, cidade ao mar virada e não só.
Até recentemente, a propósito do livro de Carlos Silveira sobre a Navegação a vapor, publiquei um opinando intitulado “Horta em Tríptico Glorioso”, salientando também a Aviação e os Cabos Submarinos, como grandes eventos internacionais em que a Horta e o seu abrigado e estratégico Porto foram falados pelo mundo inteiro.
Também é de referir a permanência durante quase cem anos (1806 a 1892; da ilustre Família Dabney, com o filho John, como 1º.Consul dos Estados Unidos nos Açores, cargo depois ocupado pelos descentes Charles e Samuel.
E tal a profícua participação na vida faialense (exportação de óleo de baleia, bacalhau seco e abastecimento de carvão à navegação a vapor, etc) que o Porto da Horta passou a ser paragem de dezenas de baleeiras americanas e escala de navios a vapor, e ficou na história como o Século dos Dabneys .
A propósito do Porto faialense, o Boletim do Núcleo Cultural da Horta, publicação anual que dignifica a nossa Ilha no contexto açoriano, insere na edição de 2014 um “ROTEIRO DO PORTO DA HORTA”, de autoria do Engº. Angelo Andrade (recolha documentação técnica) e do Doutor Ricardo Manuel Madruga da Costa (texto).
E ainda a propósito reli dois Artigos de Mons. Júlio da Rosa, publicados em “O Telégrafo” de Maio de 1997 e 1998, ambos intitulados “Porto da Horta-Centro histórico”.
Por sinal, nem os Escritos nem o Roteiro se referem ao Património Mundial, mas incluem matéria mais do que suficiente para base segura a proposta oficial que venha a ser apresentada à Unesco.
Atrevo-me mesmo a sugerir que se for por diante, como espero, a interessante iniciativa, os escritores, atrás citados, deveriam ser convidados a participar na elaboração da respectiva proposição, tendo em conta a conhecida exigência da Instituição em causa no deferimento das pretensões a Património Mundial,
E, como a Cidade-mar estará sempre presente, como aliás sucede com Angra do Heroísmo e Évora, acho que a designação em título não colide com a avançada pelo grupo faialense no facebook, pois o que mais deve interessar é que a Horta seja considerada Património Mundial.
Embora as belezas naturais não entrem nas contas da Unesco, o que é certo é que o Porto da Horta nasceu e cresceu numa das mais belas baias do mundo, mas não esperamos que os atributos que venham a ser apresentados em Paris não sejam tidos como maná do céu caído, antes e principalmente como justa distinção à Alma faialense pró Humanidade.
OS “CORISCOS” NAS SANJOANINAS
Sou ainda do tempo das Festas da Cidade que não precisavam de identificação pois assim eram conhecidas nas “ilhas de baixo”, Horta particularmente, e quiçá também em Ponta Delgada.
Angra do Heroísmo era o centro, e o cortejo da Rainha era o máximo.
Agora são chamadas Sanjoaninas, e as marchas, do continente vindas, apaixonaram o povo da ilha inteira, quase destronando o Cortejo da Rainha que continua com o privilégio de inaugurar as maiores festas populares dos Açores, e em que as touradas de praça são cartaz internacional.
Aliás, este tópico só tem por fim salientar o facto de “Os Coriscos-, naturalmente de São Miguel, terem voltado a marcar apreciada presença nas marchas populares (26 este ano) tendo recebido os aplausos mais vibrantes, do Alto das Covas à Praça Velha.
Por sinal uma oportuna demonstração de que o Povo Açoriano está nas tintas para velhas rivalidades.
De referir ainda a decisão do Secretário Regional da Educação e Cultura em conceder cinco dias de dispensa aos marchantes de São Miguel.
RECUPERAÇÃO DE BOTES BALEEIROS
O Boletim Oficial tornou público, na edição de 24 de Julho, um apoio, não de milhões, mas desta feita de 26 milhares de Euros, o que nos apraz registar.
É que se trata de uma verba destinada à recuperação e beneficiação de botes baleeiros, visando naturalmente manter bem viva a época áurea da baleação nos Açores, particularmente nas Ilhas do Canal regatas a remos e à vela com a participação de tripulações masculinas e até femininas.
Por acharmos de interesse, damos seguidamente o nome das respectivas embarcações:
Pico: Bote “Maria Adelaide, e lancha baleeira “Açoreana”; Do Faial: Botes “Senhora da Guia”, “Senhora de Fátima”, “São José”, “Capelinhos”, “Nossa Senhora das Angústias” e “Senhora do Socorro”; e Terceira: Botes ”Maria Celina” e “Espadarte”, e lancha baleeira “Estrela Açoreana”.











