Semana do Mar entra nos “-enta”

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 Em 2015 o festival náutico Semana do Mar entra porta dentro nos 40 anos de existência. Desde a modesta mas calorosa receção nos arredores do Clube Naval da Horta, passando pelo palco situado na Marina, à feira gastronómica e ao palco na Avenida, são muitas semanas de memórias, histórias, concertos e jantaradas entre amigos. 
Este ano, de 31 de julho a 9 de agosto a principal artéria da Horta enche-se de locais, visitantes, filhos da terra que emigraram na busca de uma vida melhor e de descendentes que encontram na Cidade Mar a sua segunda casa.
A Semana do Mar 2015 mantem os principais traços   de agenda que têm sido habituais nos últimos anos, com a Feira Gastronómica, a Expomar, exposições de Artesanato, a Festa do Livro, folclore, a típica Marcha, o corso pelo centro histórico da cidade e o indissociável, até por ser a génese das festividades, Festival Náutico.
Uns saem à rua a pedir uma redefinição e reestruturação do que é a Semana do Mar, outros preferem a continuidade, e há quem defenda uma aposta mais forte no Mar. Independente das opiniões visionárias ou de comentários “à velho do Restelo”, esta que é por natureza a “Festa do Mar”, afirmou-se ao longo do tempo como referência cultural, social, e mesmo económica, que catalisa a imagem do Faial na Região e na diáspora.
De 1975 a 2015 só por uma vez, em 1998, não se realizou a Semana do Mar, no seguimento do que foi o sismo de 9 de julho que deitou por terra metade da ilha. De resto, não houve um ano que por cá não se desse a mostrar como sabemos bem receber.
Tudo começou junto ao cais velho, a receber uma regata internacional com caldo de peixe. O desporto náutico foi, aliás, o embrião de termos hoje a Semana do Mar, e toma uma  parte considerável da programação deste festival que antes de ser de Terra pertenceu ao Mar.
Ele é regatas de vela ligeira ou de vela de cruzeiro, polo aquático, pesca desportiva, botes baleeiros, natação em águas abertas, apneia e de tudo um pouco, desde que envolva atividade desportiva ou recreativa no gigante azul.
Em terra, esperam os jantares de amigos ou de família, os abraços apertados de que só vem uma semana do ano à ilha, ou os sorrisos de quem acaba de conhecer  o que o Faial tem de melhor para oferecer. Depois há o folclore, o artesanato, os concertos com alguns dos nomes mais sonantes da música nacional, a animação “fora de horas” para que o pretenda, ou exposições com várias áreas de abrangência. E sim, o caraterístico cortejo náutico da Senhora da Guia no primeiro domingo, que este ano é dia 2 de agosto, que parte Porto Pim com destino ao Cais de Santa Cruz após e antecedendo os cortejos pedestres que compõe o percurso. 
A Feira de Artesanato assinala também por uma data significativa, sendo este o seu 10.º aniversário. Aí os visitantes e os faialenses podem adquirir artesanato tradicional ou mais moderno feito dos mais diversos materiais, como escama de peixe, miolo de figueira, bordados e rendas ou , mais avant gard, biscuit ou EVA.
 
Marcha da Semana do Mar, banda sonora de memórias
Quer seja pela repetição pré e pós-concertos ou pela sonoridade caraterística a verdade é que, ao final de tantos dias de festa, torna-se impossível não conhecer pelo menos o refrão da Marcha da Semana do Mar do ano em causa.
Em 1992 Conceição Carepa foi a primeira voz, e nessa altura já Victor Rui Dores era autor da letra. As Odes às Hortências, à baía da Horta, por sinal uma das Mais Belas Baías do Mundo, ao Mar e ao desporto náutico estão para as letras das Marchas como o peixe para o Mar.
Em 2012, aquando do vigésimo aniversário da trilha sonora típica de cada edição, Victor Rui Dores fala de letras como sendo “declarações de amor” à cidade da Horta. Este graciosense de nascença mas faialense de coração, lembrou na altura, em entrevista ao Tribuna das Ilhas que ideia de criação de uma marcha partiu de “uma sugestão minha e de José Amorim de Carvalho, que foi aceite pelo então presidente da Câmara Municipal da Horta, Renato Leal”.