Porto de cidadania

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Num artigo muito recente dei ênfase à necessidade das pessoas virem a público, para dar voz aos seus pensamentos, para se pronunciarem sobre o que consideram que deve ser o futuro da nossa terra.

Os momentos que vivemos são de incertezas, inclusivamente provenientes do mundo exterior, onde parece que a Europa necessita de um novo modelo de desenvolvimento económico e social e o nosso país tem igualmente que encontrar novos rumos.

E dentro desta conjuntura, como fica esta ilha de um arquipélago no meio do Atlântico? Quais são os setores de atividade em que se deve apostar? Há alguns que se possa recuperar? E há novos negócios para desenvolver?

Também falei em inovação e conhecimento que o Faial poderia desenvolver, integrando, se possível, cadeias de valor na Região e, nalguns casos, com interesse nacional.

É, assim, com regozijo que vejo, principalmente nas redes sociais, pessoas da Horta em movimentos de cidadania, livres de quaisquer interesses ou filiações partidários, espontânea e francamente expressarem duma forma categórica os seus desejos de como a nossa Horta possa ser melhor.

No entanto, é preocupante a quantidade de intervenções sobre a nova rotunda na Avenida, que é grande, que é apertada, que tem declive, que veículos longos não passam e por aí fora, sem falar no que, a meu ver, é o mais importante a olhos nus, ou seja, não a rotunda, mas o porto.

Como pode haver o total desvio do essencial, num porto que mirrou, mas com uma promessa que o lado sul do molho do Porto veria também melhoramentos, com impactos de muitas rotundas, com o prometido endireitar do cotovelo do porto, de “fingers” para o setor da pesca, com mais “fingers” para os mega iates, com o reordenamento do largo Manuel de Arriaga, uma solução de uma doca seca… Como é possível a Horta assistir ao fim da obra do porto norte e ver anúncios de várias obras em diversos portos dos Açores sem esta estar calendarizada?

Como é possível que, a dias da inauguração do porto norte, não se veja um único concurso público, que permita saber o que se vai lá passar? Há bar? Há restaurante? Há espaços para rent-a-cars? Há uma loja Açores com produtos regionais?

Espero, pois, que os autores sociais, que muito bem estão a vir a terreiro, se debrucem sobre a vida que existe para além da rotunda, e que os atores económicos deem as devidas e necessárias explicações ao povo faialense.

Falo da autarquia, do governo e das empresas responsáveis, que digam à população faialense e não às respetivas elites partidárias o que se está a fazer nesta terra, para que todos possamos participar e não apenas alguns.

Assim, com contributos da sociedade civil, provavelmente muitas das coisas mal feitas poderiam ser explicadas, porque de direito, ou endireitadas sem teimosias, a tempo e sem mais custos para o contribuinte e utilizador.

Mas o que seria verdadeiramente importante para a Horta, cidade mar, seria gerar um verdadeiro cluster, um ponto de forte, de cidadania, que quanto mais se tivesse consciência do seu potencial, mais valor teria. E esse valor seria traduzido com naturalidade em oportunidade de desenvolvimento, de aparecimento de iniciativas inovadoras e de geração de riqueza e emprego.

Importante, é ainda que se consiga, o quanto antes, gerar e multiplicar em terra todo o investimento feito no mar.

Termino este artigo com um apelo de cidadania para que haja mais investimento nesta terra, para que haja um pacto estratégico entre os atores civis e económicos (autarquia, governo, associação empresarial, Universidade dos Açores), e para que não se preocupem tanto com o dia da inauguração, mas trabalhem continuamente em conjunto, partilhando as suas informações, a bem da competitividade da Horta.

Aproveito, por fim, para desejar a todos uma Santa e Feliz Páscoa.

 

frgvg@hotmail.com

 

 

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