POSTAL DA TERRA – Mostrar os Dentes II

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Que política de Saúde é esta que propõe, com uma mão encerrar as especialidades de Oncologia, Urologia e ainda a Unidade de Cuidados Intensivos no Hospital da Horta, e com a outra mão duplicar a Estomatologia no Faial, fazendo passar de 2 para 4 o número de médicos nesta área?

Numa altura em que estão em risco estas especialidades de grande importância para o Hospital da Horta, esta é, sem dúvida, uma manobra de diversão que só pode interessar à tutela que, na desesperada contenção de custos, faz divergir as atenções dos faialenses do essencial para o acessório.

Lamento ter que voltar a público com esta situação, nesta conjuntura difícil que atravessamos, mas há perguntas e dúvidas que continuam a assolar os faialenses, e que importam esclarecer, por quem de direito:

Quando se procuram conter custos, cortando especialidades vitais aos faialenses, qual o objectivo de abrir à pressa esta nova especialidade na Unidade de Ilha, duplicando a já existente no Hospital? 

Não sairia mais barato à Região passar um cheque dentista aos 15 mil faialenses, do que duplicar esta especialidade?

Terá sido uma candidatura ao Programa Integra, para desempregados de longa duração, nesta especialidade?

Ou terá sido uma candidatura ao Estagiar L, para recém licenciados?

Qual a lei / ordem / procedimento superior que orienta esta Ação Inspectiva?

Se esta Ação Inspectiva é para todas as especialidades, para todos os beneficiários, só para alguns, ou por amostragem, e qual o critério com que é feita?

Se a prioridade da USIF não deveria ser tratar de quem sofre das doenças da boca?

Ou será que está impedida de o fazer, porque a “cadeira de dentista” está avariada? Ou se calhar nunca trabalhou? Será tão sofisticada que carece de formação adicional? Será que funciona? Com tanta dívida no sector, não me admiraria que estivesse bloqueada pelo fornecedor que ainda não recebeu o seu… Será mesmo? Certamente este será um segredo bem guardado, para faialense não ver…

Ou será que a prioridade da USIF será apenas e só inspecionar o serviço prestado pelos colegas da privada?

Como é possível haver sobreposição entre o serviço público e a clínica privada?

Será que a Olívia pública vai fiscalizar a Olívia privada?

Como é possível desempenhar-se clínica privada dentro das instalações públicas?

Possível é, em Portugal, nesta Região e nesta Ilha!

Serão apenas incentivos à fixação?…

Ou serão sobreposições nublosas numa zona escura?

Será que o Serviço Público não é onerado desnecessariamente com as atividades privadas “dentro de portas”?

Será que não ficam distorcidas as regras da livre e sã concorrência, num mercado europeu que se quer livre e aberto?

São demasiadas perguntas que, infelizmente, continuam sem resposta, até porque duas visitas à USIF ainda não foram suficientes para receber o justo reembolso de um simples tratamento dentário: primeiro mostrou-se os dentes, depois mostram-se os RX, e quando pensamos que estamos quase a receber o nosso… não é que o/a inspetor/a adoece?

Adoecer é um direito de qualquer trabalhador, o que não pode é o serviço ser suspenso, enquanto se aguarda que o/a mesmo/a se restabeleça… E se a doença for grave ou de convalescença prolongada? Realmente o que deveria ser uma mais valia para a Ilha do Faial, cedo se está a transformar numa dificuldade acrescida à saúde oral… Será caso para dizer que “Chegou? Sujou!…”, como diriam os nossos irmãos brasileiros.

E já duas manhãs de trabalho se perderam, entre corredores, inspeções, reclamações e deslocações… prejudicando o PIB individual, da região e do país… Assim, não dá, doutor!…

Pôr ordem no País, na Região e na Ilha é preciso, mas não a qualquer custo, e nunca expondo o direito à privacidade do doente!

Que se tenha a coragem de acabar com alguns pequenos médicos que insistem em afirmar que “38º no es fiebre”, ou que veem ao corredor indignar-se contra a presença de doentes, perguntando: “O que fazes aqui? Vai para casa!”, ou que cumprem mini-horários e que recusam novas consultas, ou ainda aqueles que só estão de prevenção no papel, na folheta €…, e que raramente lá põem os pés quando são precisos…, que acordam contrariados por estarem no Faial (porque a média da universidade não lhes permitiu outros voos), que se arrastam até ao serviço… tarde e a más horas, que se incomodam por tudo e por nada…, mas que se transformam na melhor das criaturas a meio da tarde, com um grande “smile” ao verem luzir o oiro da consulta privada!

E que se valorizem e deixem trabalhar os Grandes Médicos que estão cá por opção e gosto, disponíveis e incansáveis no seu horário de trabalho, simpáticos e que tratam do doente como um cliente, do qual dependem, e para o qual dão todo o seu esforço e saber para lhe darem a melhor qualidade de vida possível.

São os Grandes Médicos que por cá andaram e que continuam a andar, que deram fama e prestígio ao nosso Hospital e ao Centro de Saúde.

É graças a esses Grande Médicos que muitas valências existem, que muitas vidas foram salvas, e que muita qualidade de vida foi proporcionada às populações, evitando a sua deslocação e desenraizamento familiar.

E se há coisa que eu aprendo todos os dias neste país, nesta região, e acima de tudo, nesta ilha, é que há profissionais (de todas as atividades económicas, sociais, políticas, etc.) que me merecem respeito pelo brio e honra profissional  que aplicam à sua atividade de bem servir com permanente disponibilidade e boa disposição, e outros não… não merecem sequer esta Bela Ilha Azul onde colocam os pés… e onde todos os dias “cospem no prato onde comem”, onde comem e se alambuzam fartamente.

Definitivamente, que haja vergonha e respeito, por quem paga cada vez mais impostos, por quem está desempregado, por quem vê a reforma fugir, por quem luta pela sobrevivência diária, por quem sofre injustamente nas teias de alguns impérios.

Que se mostrem os dentes, sim, mas pelos melhore motivos!

 

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