Pousada da Juventude

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No cenário político-administrativo dos Açores, onde existem 9 ilhas com necessidades específicas distintas e ritmos de crescimento económico diferentes e sabendo-se que os recursos financeiros são escassos e finitos, faz sentido a reivindicação de determinados investimentos.

Assim, é natural que haja investimentos que tenham que esperar, outros que tenham que ser adiados, alguns que, não se verificando a sua necessidade nem a sua sustentabilidade, sejam pura e simplesmente abandonados, e ainda há outra classe, a dos que estão ad eternum em banho maria…

Por isso, quem reivindica deve ter dados que fundamentem a importância de determinado investimento, ou por ser estratégico, ou por ser uma alavanca para que outros investimentos ocorram, considerando-se, assim, “reprodutivo”, e não gerir os investimentos com o alcance apenas eleitoralista.

Não reivindicar e não criticar a falta de concretização de um investimento suscita, por parte dos governantes, o argumento de que a oposição é fraca, sem ideias, sem poder reivindicativo, não havendo, assim, pressas para que se invista; pelo contrário, quando se reivindica, vêm alguns dizer que há investimento suficiente e que é preciso esperar. Destes dois lados da barricada, nitidamente prefiro o de criticar e reivindicar duma forma construtiva, pois só deste modo ganhamos consciência dos nossos direitos.

É neste exercício que se deve falar naquilo que os governantes aparentemente esquecem, e neste caso particular, uma semana depois da Bolsa de Turismo de Lisboa, pergunta-se porque o Faial e os seus líderes não solicitaram que se faça nesta ilha uma Pousada da Juventude.

Uma Pousada da Juventude viria aumentar o segmento de oferta turística do Faial, dando a possibilidade de haver uma oferta de camas para jovens, em condições vantajosas.

O Faial ganharia notoriedade nos meios de promoção turística com mais esta oferta e eventualmente iria recuperar património arquitectónico degradado da cidade da Horta para a sua construção (que o há, quer do Estado, da Região e do Município).

Muito deste turismo jovem vem participar em regatas e muitos deles no maior festival náutico do país, durante a Semana do Mar, pelo que melhorar as condições, oferecendo a possibilidade de uma estadia mais em conta, contribuiria para aumentar este potencial náutico e tornar a Horta mais competitiva ao nível do desporto.

Aliás, este segmento não iria prejudicar a hotelaria instalada, pois é um segmento específico, que não atinge comercialmente os hotéis, e em muitos casos significaria um aumento de dormidas desta classe de consumidores menos abastada. E faria todo o sentido a Horta apostar no turismo jovem que, mais tarde, virá visitar a ilha.

Sendo o governo regional quem promove estas unidades, inclusivamente em ilhas de maior dimensão que o Faial, qual a justificação para ficarmos de fora? Como podem falar de investimentos reprodutivos se não os promovem (para além de autorizarem outros a fecharem)?

Que município é este que enche a boca com política de juventude, com a promoção do maior festival náutico do País, e sem condições para receber toda esta juventude, quando o Governo esteve sentado no seu Salão Nobre, onde TODOS os assuntos deveriam ser colocados na mesa, não reivindica a construção de uma Pousada da Juventude para o Faial!?

Este discurso de falar em investimentos reprodutivos e depois não os fazer, isto de colocar o Faial de fora, duma forma sistemática, e fora da rede de Pousadas da Juventude, isto de falar de festivais náuticos destinados à juventude e depois não defender nem reivindicar parte do bolo regional para criar infra-estruturas para um destino de excelência para os jovens na Horta é pura, puríssima demagogia.

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