Protagonismo aos protagonistas

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Não deixa de ser interessante o protagonismo que alguns não protagonistas políticos, querem para si, assumindo assim um certo protagonismo jornalístico. Quando alguém titula que determinado individuo quer protagonismo, mesmo que para um grupo ou partido que representa, a primeira definição que nos assoma não costuma ser muito lisonjeira. Podemos assumir duas definições: a daquele que quer ocupar o primeiro lugar em qualquer acontecimento ou a de quem quer ser interveniente nos episódios da vida quotidiana. 

Ora, não tendo eu verbalizado esta expressão, no que me concerne em particular e nem mesmo para o partido que represento, não tenho, no entanto, qualquer problema em dizer que sim, pretendo maior intervenção no quotidiano da nossa ilha por parte do CDS.
Já tive oportunidade de o referir anteriormente, mas reitero, que considero de grande mais-valia que a defesa dos projectos que nos são mais prezados deva ser levada a cabo por quem os propôs. Quem propõe é que consegue facilmente explanar o objectivo e o espirito do que apresenta.
Continuando nesta senda de protagonismos para instalar a confusão. Não posso deixar de notar a relevância que é dada ao facto de a coligação Acreditar no Faial ter eleito dois grupos municipais, sobretudo, quando apenas se levantam suspeições de algum tipo de discórdia, que assim à primeira, desconheço. Sobretudo no que concerne ao projecto apresentado pelos dois partidos.
Assim, passo uma vez mais a explicar. Decorre da lei eleitoral, que aqui já reproduzi anteriormente para elucidar um membro do executivo camarário, que as coligações terminam no dia seguinte às eleições. Por outro lado, nunca notei estranheza em ninguém, por a coligação que há mais tempo me lembro de se apresentar a eleições – a CDU -constituir invariavelmente dois grupos parlamentares – o do PCP e o do Partido Ecologista os Verdes. Mais interessante é quando se referem à actual presidente da Assembleia Municipal da Horta (AMH), e aí sem qualquer prurido, dizendo que foi deputada municipal do PSD no último mandato… Então mas o anterior grupo municipal a que esta pertencia não era então o da coligação?
Acerca do pormenor de a Sr.ª Presidente da AMH ter convidado todos os partidos representados a assistir à contagem dos votos, fico sem perceber a critica ao facto de também o CDS enviar o seu. Afinal, o CDS não é um partido representado?
Para finalizar este assunto, quero apenas referir que: na Assembleia Municipal existe uma maioria – que é a da coligação Acreditar no Faial; esta é materializada em dois grupos municipais, um do PSD e outro do CDS.
A censura às Moções.
Numa semana marcada pela apresentação de uma Moção de Censura ao Governo da República, não posso deixar de aqui tecer alguns comentários.
No momento que lê este parágrafo já é sabido que a mesma foi rejeitada pelo partido do governo – o PS – e, engolindo vários sapos, também pelo BE, PCP, PEV e PAN.
A moção de censura está prevista no artigo 194.º da Constituição e é um instrumento parlamentar para os partidos da oposição penalizarem o Governo.
A Assembleia da República, “pode votar moções de censura ao Governo sobre a execução do seu programa ou assunto relevante de interesse nacional, por iniciativa de um quarto dos Deputados em efetividade de funções ou de qualquer grupo parlamentar”.
Estranhei sobretudo os que censuraram a moção por esta ser um “aproveitamento politico” ou ainda melhor, “um truque grotesco”…
Das 29 moções de censura apresentadas até hoje no Parlamento, apenas uma, no longínquo ano de 1987, fez cair o Governo. Foi apresentada pelo extinto PRD por o executivo minoritário do PSD ter criticado a visita de uma delegação de deputados à Estónia, numa altura em que ainda integrava a ex-URSS.
De resto, quanto ao motivador da censura vamos cá ver o que é que realmente importa aos partidos portugueses… PCP e PEV – O que as justificou? As ofensivas brutais “contra o valor dos salários” (2012), o “ataque brutal aos direitos dos trabalhadores” (2008), “a destruição da vida de tantos portugueses” (2012) e o “sentimento popular de rejeição da política de direita”.
Para o BE – A “defesa das gerações sacrificadas” (2011), a recusa do “Tratado Orçamental” (2008) e o “direito aos salários e às pensões” (2012).
O PS apresentou moções sobre “a condução da politica governativa” (1989), “pelo apoio do Governo ao desencadear de acções militares contra o Iraque…” (2003) e a última “Em violação dos seus compromissos eleitorais, o atual Governo tem vindo a prosseguir uma estratégia de empobrecimento do País, assente numa violenta política de austeridade” (2013).
Já o PAN, nem o facto de terem morrido Pessoas, milhares de Animaisterem sido mortos ou ficado sem habitat e de só da área da Mata Nacional ter ardido cerca de 80% e de assim a Natureza nacional ter ficado sem a quase totalidade de uma mata cuja plantação se iniciou em 1300 foi suficiente para ir de encontro aos seus ideais…
Se é censurável o facto de o estado falhar naquilo que é a defesa dos direitos básicos que levaram à fundação de um país – a defesa territorial e das pessoas- é, então censure-se!

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