PS aplaude proposta do Governo para reestruturação do Serviço Regional de Saúde; PSD entende que documento é “para eleitor ver”

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O Governo Regional apresentou no domingo a versão final do plano de ação para a reestruturação do Serviço Regional de Saúde (SRS), na sequência de um período de discussão pública no âmbito do qual foram reunidos dezenas de contributos. Em relação à primeira proposta, este novo documento apresenta algumas alterações, com destaque para o facto de deixar cair a criação do Centro Hospitalar dos Açores, para gerir os três hospitais regionais. No caso do Faial, recorde-se que a população e as forças vivas da ilha mobilizaram-se em força contra a saída de especialidades do hospital e a redução na classificação do Centro de Saúde da Horta. Na nova proposta o Executivo recuou, mantendo as especialidades no hospital e a classificação do Centro de Saúde como intermédio.

As reacções das forças políticas já se fizeram sentir. Em comunicado, o PSD/Açores considera que o documento viu poucas melhorias em relação à primeira versão, “mantendo muitas das ineficiências da velha proposta”, como o encerramento noturno de vários centros de saúde.

“É verdade que o Governo Regional foi obrigado a recuar devido à reprovação generalizada dos açorianos a um modelo centralizador de prestação de cuidados de saúde. Mas também não é menos verdade que em alguns pontos o documento agora apresentado parece mais ‘para eleitor ver’ até às próximas eleições autárquicas”, consideram.

O PSD não gostou que o Executivo tivesse ignorado a sua proposta de criação de Unidades de Saúde Familiar, considerando que fica por mitigar a necessidade de uma aposta nos cuidados de saúde primários.

Para os social-democratas, o documento apresentado pelo Governo não explica como é que este prevê “atenuar as dificuldades” da péssima situação financeira do SRS.

Esta manhã, o líder parlamentar do PS/Açores destacou a “eficácia” que este plano de ação pode trazer para o SRS, congratulando-se com a manutenção da autonomia administrativa e financeira dos hospitais regionais e com o recuo na decisão de retirar especialidades dos hospitais da Horta e de Angra do Heroísmo. Berto Messias congratulou-se com a participação cívica dos açorianos na discussão pública, já que considera que “o SRS é dos Açores e a forma como funciona deve ser definida pelos açorianos”.

Para o líder parlamentar do PS, será fundamental o trabalho dos Conselhos de Administração dos hospitais na racionalização do funcionamento do SRS, considerando que o “trabalho em rede” entre as três unidades hospitalares açorianas é essencial.

Em relação às acusações de eleitoralismo do PSD, Berto Messias considera-as infundadas, entendendo que, se fosse essa a intenção do Governo, a discussão do SRS teria sido adiada para depois de setembro. Messias acusou o PSD de “nadar aos ziguezagues” nesta questão, entendendo que o PS nunca poderia aceitar uma reforma que implicasse “entregar a chave do SRS ao Governo da República”.

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