PS/Faial acusa PSD de “falta de colaboração” no projecto das Termas do Varadouro

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A revitalização das Termas do Varadouro tem motivado uma acesa troca de acusações entre PSD e PS. Os social-democratas entendem que o Executivo Regional “não sabe o que fazer” com aquele espaço, declarações motivadas pela passagem dos terrenos para a SPRHI depois de ter ficado decidido que estes passariam para a Câmara da Horta. Em resposta, o PS/Faial acusa os social-democratas de praticarem uma política de “bota-abaixo”, e condena o facto da vereação laranja na autarquia faialense não ter apoiado um parecer favorável ao interesse de um privado em investir na requalificação das Termas.

Numa conferência de imprensa que decorreu esta tarde, Lúcio Rodrigues lembrou que existe um investidor privado com interesse em investir nas Termas do Varadouro, e que entretanto já entregou na Câmara da Horta um pedido de informação prévia. Segundo explicou o deputado socialista eleito pelo Faial, na sequência desse interesse, a Secretaria Regional da Economia solicitou à autarquia faialense “que se pronunciasse sobre esta intenção e, em especial, sobre a sua adequabilidade ao respectivo Plano Director Municipal”.

Nesse sentido, a Câmara da Horta emitiu um parecer onde manifesta “o seu apoio a que se encontrem soluções para avançar com este projecto”, parecer esse a que os vereadores do PSD se abstiveram.

Na ocasião, Lúcio Rodrigues voltou também a explicar a razão da passagem dos terrenos para a SPRHI ao invés de para a Câmara faialense, explicação essa que, de resto, a Secretaria Regional da Economia já tinha avançado, em reacção às críticas do PSD. Rodrigues lembrou que em Novembro de 2011 foi publicada legislação nacional que impede que as câmaras municipais participem em novas empresas comerciais, facto que “inviabiliza a solução da transferência dos terrenos para a Câmara Municipal da Horta”.

Possível investidor nas Termas do Varadouro optimista em relação ao desenvolvimento do processo

Tribuna das Ilhas conversou com Gumercindo Oliveira Lourenço sobre as suas perspectivas acerca deste empreendimento. O empresário confirmou à nossa reportagem que decorrem negociações com a Câmara Municipal e com o Governo com vista à construção de um hotel spa nas Termas do Varadouro, à semelhança de outros empreendimentos na área do turismo de saúde em bem-estar que Gumercindo já detém no continente. Segundo o possível investidor, neste momento está-se a “analisar o processo”, não estando nada ainda definitivamente decidido.

Gumercindo reconhece que a dimensão da ilha pode ser uma dificuldade, bem como a sua acessibilidade. No entanto, entende que é possível proporcionar algo que sirva não apenas os turistas que se possam cativar neste nicho de mercado mas também os próprios residentes, não apenas do Faial mas também do Pico e São Jorge. O empresário está satisfeito com a forma como têm decorrido os seus contactos com as autoridades locais, e lembra que um projecto deste tipo teria um papel muito importante na economia da ilha, principalmente pelo facto de vir criar postos de trabalho.

Gumercindo não dá, para já, certezas em relação a um possível investimento, mas, para que tal venha a acontecer, garante que será necessária “uma união de esforços” .

Vereação laranja quer mais informações sobre o projecto

Segundo explicou Rosa Dart ao Tribuna das Ilhas, a abstenção do PSD na votação em sede de Câmara não significa que os social-democratas não estejam interessados em ver andar este empreendimento. A vereadora refere que o PSD quer “acompanhar o processo de forma clara e transparente”, e entende que há pouca informação disponibilizada para que a vereação social-democrata “se pronuncie sobre o processo”.

Rosa Dart refere que ficou satisfeita com o parecer elaborado pelo técnico da Câmara Municipal da Horta, principalmente pelo facto deste chamar a atenção para algumas preocupações ambientais a ter numa eventual construção na zona.

Os vereadores do PSD querem também saber exactamente como foi feita a captação de investimento privado e que apoios e incentivos estão a ser equacionados da parte da autarquia e do Governo Regional para este projecto. Rosa Dart entende também que é importante que, no caso de existir algum empresário local ou regional interessado no projecto, este possa concorrer em igualdade de circunstâncias à possibilidade de executar este empreendimento.

“Temos todo o interesse no projecto, desde que cumpra com todas as legalidades e haja transparência no processo que em breve, esperemos, há-de surgir”, refere a vereadora laranja. 

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