Publicada portaria que possibilita reconversão de explorações de produção de leite em carne de bovino nos Açores

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O Secretário Regional da Agricultura e Florestas afirmou, na ilha das Flores, que foi hoje publicado em Jornal Oficial a portaria que possibilita a reconversão de explorações de produção de leite em produção de carne de bovino, através da atribuição de um lote de 6.000 direitos individuais para efeitos de concessão do Prémio à Vaca Aleitante, no âmbito do POSEI.

 

“Esta é uma medida extremamente importante e que concretiza dois objetivos. Por um lado, permite que, nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, haja uma reconversão das explorações de leite em explorações de carne, reduzindo a produção do leite onde as indústrias manifestam haver excesso, e, por outro lado, cria condições e novas oportunidades para o crescimento do setor da carne, tudo sem haver abandono da atividade agrícola”, referiu João Ponte, que falava na entrega do diploma de certificação pela norma ISO 22.000 do Matadouro da Ilha das Flores, cerimónia que foi presidida pelo Presidente do Governo.

 

No segundo dia da visita estatutária do Executivo à ilha das Flores, o governante revelou também que no final do mês serão pagos, com verbas regionais, 1,3 milhões de euros relativos aos prémios ao abate de bovinos e produtores de leite, no âmbito do POSEI, que vão beneficiar 3.000 produtores, contribuindo para melhorar o rendimento, reforçar a competitividade das explorações e ajudar os produtores a enfrentarem os desafios com que se confrontam.

 

Para João Ponte, a aposta que o Governo dos Açores fez na certificação de todos os matadouros do arquipélago na atual legislatura, bem como o investimento global de 15 milhões de euros na sua modernização, é extremamente importante para a qualificação, a notoriedade e para o desenvolvimento do setor da carne, permitindo reforçar a segurança alimentar, uniformizar e padronizar rotinas e procedimentos de abate, dotar a rede regional de abate com equipas mais qualificadas e alcançar o reconhecimento externo das boas práticas adotadas pelos matadouros da Região, o que contribui para novas oportunidades de negócio.

 

“Mais importante do que os números é o que estes investimentos estão a permitir e vão permitir no futuro em termos de desenvolvimento da fileira, da economia regional, da criação de emprego e de exportações”, considerou João Ponte, indicando que, se for feita uma comparação da atual legislatura com a anterior, houve um crescimento médio de 22% no número de bovinos abatidos e de 18% em termos de exportação.

 

Para João Ponte, o crescimento verificado nos últimos anos no setor da carne não teria sido possível sem o trabalho, o envolvimento e a aposta dos agricultores, a melhoria ao nível da genética, do bem-estar animal, sem os projetos de investimento em infraestruturas que foi feito, potenciando o rendimento dos agricultores e o desenvolvimento económico regional.

 

Por outro lado, frisou que, fruto de um trabalho de parceria e articulação, a vários níveis, com as organizações de produtores e a Federação Agrícola dos Açores, foi possível, por exemplo, introduzir melhorias no programa POSEI, como sejam pagar o Prémio ao Abate de Bovinos em dois semestres, em vez de uma única vez, dando maior liquidez aos agricultores, possibilitando que os produtores que abatam menos de 20 animais por ano recebam a ajuda na sua totalidade, o que beneficiou cerca de 84% dos produtores de carne nos Açores ou ainda a criação da nova ajuda ao transporte de bovinos inter ilhas, para desincentivar a exportação em vida dos animais e aumentar os abates na rede regional.

 

O governante afirmou ainda que, apesar do caminho de progresso trilhado, o setor da carne não está imune a importantes desafios, como sejam o da aposta na diferenciação e na qualidade, para melhor valorizar a carne do Açores, um trabalho que assegurou já estar a ser feito, apontando o exemplo da Estratégia de Valorização da Carne dos Açores, concretizada pelo Centro de Estratégia Regional para a Carne dos Açores (CERCA), com um plano de ação já definido e responsabilidades atribuídas a diferentes agentes, ou ainda a conclusão do caderno de especificações da carne da Reserva da Biosfera, a revisão das especificações da carne IGP ou a criação da carne Ramo Grande DOP.

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