Quanto mais sairá do bolso dos contribuintes açorianos?

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A Comissão criada pelo Parlamento açoriano nesta legislatura para estudar e apresentar medidas com vista a uma Reforma da Autonomia (CEVERA), continua a sorver dinheiro ao erário público, o mesmo é dizer continua a sair cara aos contribuintes açorianos.
Ficámos a saber na passada semana que, para apoiar juridicamente os senhores deputados que a constituem, a Assembleia Legislativa contratou uma reputada sociedade de advogados nacional pela módica quantia de 100 mil euros.
Se a essa quantia somarmos todos aqueles valores que o erário público já dispendeu em despesas de representação, estadias e deslocações dos deputados que compõem a Comissão desde a sua constituição, então chegaremos à óbvia conclusão que são custos demasiado elevados para manter a CEVERA.
Certamente para quem a criou será coisa pouca atendendo aos resultados que espera conseguir. Mas essa é a tal Comissão criada no início de 2017 e para a qual se determinou que iria apresentar um relatório um ano após a sua constituição. Já lá vão quase três anos e o relatório final ainda não viu a luz do dia. Isso sem esquecer que para a auxiliar foi criada uma subcomissão.
Nada que não estejamos habituados.
Parece um prazo curto na vida de um grupo de trabalho, mas é uma eternidade em política. Acredito que podem ter realizado imenso trabalho, desenvolvido iniciativas, ouvido inúmeras pessoas da vida política, económica e social, mas em que resultado se traduziu isso tudo? Por aquilo que me apercebi em nada.
Talvez daí se explique o surgimento repentino desta contratação, para disfarçar a ineficácia temporal da Comissão e a ineficiência dos deputados que a compõem. Mas esta contratação também enferma em si mesma de uma manifesta ambiguidade por inexplicável aos olhos do comum dos cidadãos.
Desde logo, porque ocorre passados quase três anos sobre a data da sua criação e quando faltam apenas nove meses para as eleições legislativas regionais. Sabe-se, com toda a certeza, que após esse ato eleitoral haverá novos elementos, entenda-se deputados, a fazer parte dessa Comissão, os quais necessitarão de tempo para se inteirar dos assuntos ali apreciados. Atrevo-me, pois, a dizer que só lá para 2021 porventura teremos resultados concretos.
E, depois, porque o Presidente dessa Comissão, o deputado Francisco Coelho, veio dizer, em entrevista ao jornal Diário Insular do dia 30 de janeiro, que essa entidade irá produzir um relatório no final de março.
Perante esta afirmação, como se explica a contratação dessa sociedade de advogados que tem por missão realizar o seu trabalho ao longo de 12 meses?
Ninguém se entende.
Mais, as ideias reformistas autonómicas sobre as quais a Comissão está a trabalhar podem certamente interessar a alguns políticos, mas passam completamente despercebidas e são inócuas para a vida do cidadão comum. Que benefícios haverá na sua vida, no seu dia a dia, decorrentes do facto de se extinguir o cargo de Representante da República?
Ou, então, de os Açores terem um juiz com assento no Tribunal Constitucional? Ou ainda de ser criado um Conselho Consultivo dos órgãos de Governo Próprio em matéria de relações externas?
Esta Comissão traduz o exemplo perfeito da forma como a população olha hoje para a política e o seu exercício por parte dos eleitos.
Não admira que, face a este género de debate, de iniciativas, os cidadãos se mostrem cada vez mais desinteressados da política e se abstenham de comparecer aos atos eleitorais para exercer o seu direito de voto.
Pois sabem que tudo isto tem um custo e que sai sempre do mesmo bolso, o dos contribuintes, neste caso, açorianos.

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