Quem me quer aumentar o Aeroporto?

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A imagem transmitida pela RTP Açores do desfilar de todas as forças políticas, desde os Presidentes de Câmara até aos deputados regionais de várias cores partidárias, na apresentação da iniciativa peticionária “pelo aumento da pista do aeroporto do Pico”, mostrou claramente à opinião pública, aos açorianos, que todos os picoenses sem exceção estão unidos em torno dessa causa. 

A mensagem que os promotores da iniciativa pretenderam fazer passar – unidade picoense em torno do aumento da pista do aeroporto – conseguiu atingir o seu alvo. Na verdade, o momento escolhido não foi ingénuo, coincidiu com o início da visita estatutária à ilha do Pico por parte do Governo Regional, o tal momento anual em que as populações da nossa Região, os Conselhos de ilha, apresentam as suas reivindicações junto daquele órgão governativo. 
Também na ilha do Faial ninguém ficou indiferente a esta petição e ao envio da mesma. É verdade, por contraste com o Pico, ainda mantemos na retina o Dejalme Vargas, apenas acompanhado pelo Nuno Corvelo, a tentar entregar no Parlamento Açoriano a petição dos faialenses “pelo aumento da pista do aeroporto da Horta”. Quando todos nós pensávamos que a mesma iria ser recebida em mão pela Presidente do Parlamento Açoriano, Ana Luísa Luís, disponível no momento para tal, dando, dessa forma, solenidade ao ato, diga-se, merecida, eis que a entrega da mesma a uma funcionária do Parlamento a transformou em um mero ato de expediente.
A solenidade que se pretendia alcançar esvaiu-se por completo. O Tribuna das Ilhas não o deixou passar despercebido e, como sempre, na primeira linha, trouxe à estampa aquele momento, tentando acordar o faialense. Hoje, como sempre, não pode haver divisões, divergências político partidárias, duas correntes de opinião, quando o alcançar de um objetivo mais importante se levanta “o progresso e desenvolvimento económico do Faial”.
Basta olhar para a ilha vizinha e ver que, quando estão em equação interesses do Pico, todas as forças políticas dão as mãos, não há querelas partidárias, nem concelhos divididos.
É importante que todas as forças vivas do Faial se debrucem um pouco sobre o texto incluso nesta petição, nomeadamente na sua parte final. A expressão que o Faial e São Jorge “teriam no Pico uma porta de entrada totalmente gerida, explorada e desenvolvida pela Região para servir condignamente as ligações aéreas com o exterior, quer para o território nacional, quer para o estrangeiro”, deve ser lida nas entrelinhas e com muito cuidado.
Isto porque o ponto fulcral que permite diferenciar e facilitar o investimento nas infraestruturas aeroportuárias do Pico e do Faial reside precisamente na propriedade das mesmas. Enquanto que, de um lado, temos a Vinci e a ANA, do outro temos a Região Autónoma dos Açores. Pensemos apenas no momento que se avizinha – eleições autárquicas – para rapidamente nos apercebermos que as promessas podem saltar para a ribalta no calor do discurso. 
Poderá não ser o momento para fazer soar os alarmes, mas, pelo menos, deve pôr-nos de sobreaviso.
Os promotores daquela iniciativa, os faialenses, não podem esmorecer, não podem baixar os braços, pois o aumento da pista do aeroporto é hoje uma imposição, uma exigência dessa atividade económica fundamental para o Faial que é o Turismo.
O Faial necessita de voltar a sair à rua para mostrar que o poder, o poder reivindicativo, ainda está no povo.
O primeiro vídeo de promoção turística do território português lançado pelo Turismo de Portugal, filmado durante o inverno, traz às luzes da ribalta os Açores, perdão, a ilha de São Miguel, com as plantações de chá e a Lagoa das Sete Cidades em destaque.
A canalização ou a tentativa de canalizar o turista para a ilha de São Miguel em detrimento das restantes ilhas é cada vez mais evidente.  
Esqueceu-se aquela entidade governamental, suportada com o dinheiro dos contribuintes, que os Açores são mais oito ilhas, cada qual com as suas paisagens singulares e para as quais a promoção no exterior, seja por que meio for, é fundamental. O vídeo não ficaria mais forte e apelativo com o Vulcão dos Capelinhos, a Montanha do Pico ou as Fajãs de São Jorge? Não temos dúvidas que sim e todos ficaríamos a ganhar. 
Perante isto, cruzamos os braços ou tomamos uma posição? 

 

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