Quem os alimenta?

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Vivemos um novo tempo, onde muitos elegem novos “heróis” e só depois das tomadas de posse, colocam a mão na consciência e descobrem que, na maioria dos casos, optaram por um caminho errado. Os Estados Unidos (e o Mundo) estão agonizados com a eleição de Donald Trump, a Alemanha, a França, a Itália e a Holanda, estão com as barbas de molho; na Turquia e na Rússia a ditadura instalou-se; o Reino Unido ameaça desintegrar-se pela saída da União Europeia; a União Europeia está em alerta com a possibilidade de mais saídas e com as ameaças vindas da Rússia e agora também dos EUA. E por aqui vamos, por este mundo fora, lamentando, é certo, mas agindo com indiferença perante os genocídios cometidos no Sudão, na Síria, na Birmânia e em tantos outros conflitos. Uns que temos conhecimento pelo seu mediatismo mas ao quais nos habituamos às imagens, até se tornarem um insignificante rodapé num qualquer Telejornal, e os outros que, intencionalmente ou não, desconhecemos.
No fundo, não têm espaço nas nossas vidas, porque existem, também, no nosso espaço de informação, os novos “pretendentes”, definitivamente ocupados a destilar a sua vaidade, laborando para enraizar o seu conceito (o seu endeusamento) e desta forma, ocuparem religiosamente o nosso universo mediático, situação que nos completa a mente e nos satura, de forma que já não conseguimos ouvir falar, nem queremos saber das populações que nadam e se afogamao tentar se salvar ou das matanças dos povos e tantos outros episódios capazes de envergonhar a humanidade.
Hoje todos têm soluções, hoje todos são salvadores, hoje existe sempre alguém que se levanta em nome da nossa terra, se apresenta como O omnipresente que, de forma simples e popular, facilmente passa uma mensagem contra algo ou contra alguém, sem pudor, desbravando a vida pessoal de cada um, expondo, apelidando, caluniando, desrespeitando e abalando a aclamada democracia.
Esta osteoporose ética, vem ferida na sua incapacidade em fornecer provas ou argumentos sólidos. Ficam-se, no máximo, pelo pseudo-argumento, pelo “diz que disse”, ou pelas frases truncadas e fora de contexto. A calúnia funciona como um vórtice que arrasta os mais frágeis para uma irremediável perdição cognitiva e aqueles que assim envenenam as relações comunitárias são um atrito da liberdade.
Por não conhecermos outro regime com tão bons resultados, devemos ter o cuidado de não embalar nestes novos talentos populistas, independentemente da sua origem ideológica ou programática.
Eles começam por ser a “solução” para todos os nossos males, saudados e alimentados pelos órgãos de comunicação social, aplaudidos pelas redes sociais, venerados pelos seus seguidores e protegidos pelo seu exército de perfis falsos e pela moda das “FakeNews”, que aparecem num qualquer blogue, página de internet ou rede social. São fruto deste novo tempo, onde a demagogia, o populismo e a procura cega de protagonismo fácil ofusca a nossa têmpera, não nos deixa ver e sentir o que realmente é importante. Não permite refletir, cingindo tudo ao soundbite e aos títulos sensacionalistas à procura de mais cliques ou vendas de jornais.
Temo que nos Açores e em particular na minha terra, se esteja a seguir este caminho. Receio que não consigamos ver com a lucidez e clarividência necessária o que é verdadeiramente importante, que não consigamos separar a virtualidade da realidade, o essencial do assessório e da intriga miudinha, que não estejamos a respeitar o legado e trabalho dos nossos antepassados, em nome da necessidade urgente de alguns em se tornarem “heróis” do tempo moderno.
Fica o alerta. Não se deixem enganar. Acreditem no que é genuíno e não deixem que por aqui se embarque na demagogia e no populismo, na crítica fácil, sem alternativa credível e fundamentada. E já agora, que não se deixem embalar pelas promessas daqueles que, também aqui na nossa terra, sempre defenderam e apoiaram o radicalismo da austeridade e do empobrecimento, com a desculpa de que não existe outro caminho ou alternativa. Caminho esse que tão maus resultados trouxe, no nosso e em outros Países, como cada vez é mais claro e referido internacionalmente, inclusive pelaUnião Europeia, que, paulatinamente, começa a fazer a sua “mea culpa” e inversão de marcha.

 

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