Reflexões Crónicas – 16 Imóveis em Processo de Classificação no Faial (II)

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Na sequência do texto anterior, deixamos algumas notas sobre seis dos edifícios em processo de eventual classificação:

Castelo da Rocha Negra (Cedros): um edifício notável, do século XVII ou XVIII, mas com características que recordam as torres de menagem medievais, implantado em posição defensiva e com uma ampla vista sobre o mar em torno da freguesia. Foi a residência dos Lacerda, família de linhagem nobre e das primeiras do Faial, entre os quais António da Silveira de Lacerda (c.1618-1686), que se destacou nas Guerras da Restauração. Pela sua tipologia única e história tem também associadas diversas lendas locais, algumas ligadas à pirataria.
Solar dos Lacerda (Conceição): de finais do século XVIII, foi construído pelos descendentes do referido acima. Tem as características de um solar urbano da época e é o mais bem preservado da cidade, mantendo a estrutura original e tendo também pedras com o brasão de armas da família (é o único edifício particular no Faial ainda com heráldica visível no exterior).
Palacete do Pilar: construído na década de 1780 pelo abastado proprietário Manuel Inácio de Sousa (1739-1801), numa antiga propriedade jesuíta, a Casa do Pilar ficou conhecida pelas festas e serões culturais promovidos por MIS, que se retirou no local nos últimos anos de vida para se dedicar à escrita e à tradução de obras Clássicas para Português. A riqueza da casa e o aparato em seu redor simbolizam uma época e um grupo que a dominou. Depois da morte de MIS caiu em quase ruína, até ser adquirido e reconstruída pelo Dr. António Severino de Avelar (1843-1917), que lhe tentou devolver o esplendor original. Hoje está em estado de completa ruína e ameaçado na sua integridade por construções que nos últimos anos se fizeram junto da propriedade.
Império dos Nobres: este império surgiu de um voto camarário datado de 1672, feito em sequência de uma crise vulcânica na Praia do Norte, e o edifício actual data de c.1766, sendo um dos impérios mais antigos dos Açores. Ficou arruinado com o sismo de 1926, sendo reconstruído anos mais tarde, com menor dimensão, mas mantendo o traçado primitivo. Tem uma janela que poderá ser ainda do século XVI, provavelmente aproveitada de uma construção anterior.
Edifício da Farmácia Lecoq (na imagem): construído em 1861, segundo nos parece por Manuel Joaquim da Silva Menezes (1824-1906), “boticário” (o que hoje seria um farmacêutico), que no rés-do-chão fundou a «Farmácia Menezes». Equipada e decorada com o melhor da época, a casa era conhecida como o «Solar dos Menezes». Foi vendida ao Comendador Jorge Avelar (1886-1964) em c.1938, que aqui instalou as representações consulares de Espanha e do Brasil. A farmácia foi vendida ainda no século XIX a Pedro Maria Lecoq (1877-1939), que lhe alterou o nome. Hoje é provavelmente a empresa mais antiga do Faial.

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Edifício do Café Internacional: construído na década de 1920 para residência e escritório comercial de José Cardoso Furtado, que nele instalou a representação e espaços de assistência aos passageiros da Fabre Line na Horta. Em 1926 uma dessas salas foi transformada no Café Internacional, ainda hoje em funcionamento, fundado por Joaquim Alves da Silva. Este é um dos edifícios marcantes da cidade, pela sua estética e história, e foi provavelmente o primeiro construído com este estilo arquitectónico, que seria depois muito utilizada no período da reconstrução após o sismo de 1926. 

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Veja-se: Jornal Oficial, II Série, nº 242, anúncio n.º 354/2017 de 27 de Dezembro. Disponível em: <https://goo.gl/YmrddA>

Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).