Início Artigos de opinião Tiago Silva Reflexões Crónicas – As Casas Antigas da Cidade(II)

Reflexões Crónicas – As Casas Antigas da Cidade(II)

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DR/TI
DR/TI

Com este título fiz há uns dias uma publicação na página Horta Histórica, a respeito de duas casas da Rua Walter Bensaude, que estão entre os exemplares mais antigos (séculos XVII/XVIII) e interessantes da nossa arquitectura (e também entre os em maior risco). Devido aos comentários, mensagens e outras repercussões que daí resultaram, resolvi partilhar aqui algumas questões.
Os imóveis em questão são os números 9 (foto da esquerda, ao centro) e 11 (à sua esquerda). Desde há décadas que estas casas surgem em livros de Arquitectura e de Património: Inventário do Património Imóvel dos Açores (1999); Plano de Urbanização da Cidade da Horta (2005), como “Edificações a Preservar” e a indicação de serem propostos para classificação como Imóvel de Interesse Municipal (o que ainda não aconteceu); Estratégia para a Reabilitação Urbana da Horta – 2018-2027 (UrbHorta, 2018), na categoria de “Imóveis Prioritários para a Reabilitação Urbana – Prioridade 1”, com a indicação de que “É crucial preservar essa essência [dos edifícios], quer pelo exterior quer pelo interior” (pp. 106-109). Por aqui fica patente a importância destes edifícios, o seu reconhecimento por parte das entidades locais e regionais, a noção de que é preciso preservá-los e de que essa preservação passa por manter mais que apenas a fachada.
No nº 9 não só tem interesse o seu exterior como o seu interior, onde se mantêm as estruturas da arquitectura tradicional (saguão, escadas e soalhos em madeira, paredes em estuque de cana, portas com ferragens e fechaduras em ferro, “varanda” em madeira de modelo típico), tendo vários elementos datáveis do século XVIII e sendo por isso uma das casas mais bem preservadas da cidade. Apesar do estado de degradação e de necessitar de obras, será possível recuperá-la integrando estes elementos e, com eles, a sua identidade. Com a recente demolição do vizinho prédio nº 7 (uma casa do final do século XVIII, classificada com “Prioridade 2” no citado documento e onde muitos elementos originais poderiam ter sido mantidos), que partilhava a parede Norte com o nº 9 (que por sua vez partilha a outra parede com o nº 11, pois estas casas iam sendo construídas aproveitando as estruturas contíguas), a casa (nº 9) ficou sem parede de suporte e em estado de ruína (ver foto direita). Nestas condições o seu interior não resistirá muito tempo e será pouco provável que uma futura reconstrução recupere os seus elementos, perdendo-se assim uma das casas mais importantes da cidade.
Já a casa nº 11, na parte em ruínas, apesar de o interior ser irrecuperável, devem preservar-se as paredes de pedra do interior e das traseiras, que constituem um dos valores do imóvel e que incluem partes de uma cozinha tradicional, que será das poucas (senão a única) que ainda temos entre nós, elementos que, uma vez recuperados, tornariam esta casa numa das mais interessantes e valiosas da cidade.
Ficam a informação e a reflexão.

Veja-se: Facebook.com/HortaHistorica

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Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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