Reflexões Crónicas – Horta Histórica

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Celebra-se em 2018 o Ano Europeu do Património Cultural. Também por isso, como por outras circunstâncias, decidi que seria a altura adequada para concretizar uma ideia que se vinha formando há anos, de lançar um projecto relacionado com a História e o Património da nossa ilha.
Estando pensado para iniciar este ano, em Agosto passado fiz uma primeira experiência, criando a página no Facebook e começando a testar os vários tipos de publicações e as reacções que suscitavam. Também neste espaço tenho dedicado vários textos ao tema, que têm sido bem recebidos pelos leitores (pelo menos por aqueles que me fazem chegar as suas opiniões). Em cinco meses a página conta com mais de 100 publicações e cerca de 1200 seguidores, alcançando mais de 1000 pessoas por dia. Tenho recebido quase diariamente comentários, tanto nas publicações como em privado, alguns com informações muito relevantes para o trabalho de investigação sobre o Faial.
Pela experiência que tenho tido nesta área, já anteriormente, mas sobretudo nes-tes últimos meses, posso afirmar com convicção que os faialenses, ao contrário do que se tem dito e pensado, têm interesse no seu Património e querem conhecer a sua História, a questão é saber-se educar para estes temas de uma forma que seja próxima do grande público. A História, tal como o Património, é de todos, e cabe-nos a todos enquanto co-munidade o papel de preservar a nossa Memória comum. Qualquer trabalho de investi-gação fica mais completo com a participação do público, tanto fornecendo informações ou documentos que tenha, como acompanhando o próprio trabalho em curso. A partir de agora estarei, pelo menos nos próximos três anos e meio, dedicado à investigação sobre o Faial, e este projecto pretende ser a face visível e interactiva do meu trabalho. Todos os faialenses (de nascimento ou de coração) são convidados a participar, questionando, dando sugestões, deixando críticas, aprendendo e ensinando. Esta sexta-feira (dia 2), pelas 18h30, farei na Biblioteca Pública da Horta a apresentação do projecto, convidan-do todos a participar no debate e a apresentarem também as suas preocupações e suges-tões.
A nossa ilha tem 550 anos de História, por aqui passaram (e passam) gentes de todas as paragens, e temos um abundante património, que testemunha esse passado e que todos devíamos conhecer e salvaguardar. Temos também uma tradição cultural mui-to rica, além de bons estudos que nos dão a conhecer o que temos e nos fornecem as ferramentas para o preservarmos correctamente. Infelizmente essas ferramentas nem sempre são usadas e muito desse património não está a ser preservado como devia. Te-nho andado pelos meios de investigação nos últimos anos e o Faial surge referido em duas dimensões antagónicas: por um lado, somos um exemplo de uma terra pequena com uma História e um Património excepcionais (temos, por exemplo, colecções de miolo de figueira e marfins únicas no mundo, alguns dos melhores azulejos e talhas do século XVIII português e o melhor conjunto de Arte Sacra dos Açores); por outro, somos um exemplo citado de más práticas (património contruído em ruínas, as igrejas conventuais e o Museu a precisarem de uma renovação urgente ou o Museu de Arte Sacra que continua sem instalações).
Celebra-se em 2018 o Ano Europeu do Património Cultural. Também por isso, como por tantas outras circunstâncias, será a altura ideal para nos sentarmos todos e pen-sarmos qual o futuro que queremos para a nossa terra, e se ele será feito com respeito pelo nosso passado e a nossa identidade ou se vamos continuar a destruir tudo e a figu-rar na lista dos maus exemplos.
Fica a reflexão, e o convite para conversarmos hoje à tarde.

 

Veja-se:https://www.facebook.com/HortaHistorica

 

Imagem: Este edifício (Rua Walter Bensaude 11), construído provavelmente no século XVII e bem conhecido dos historiadores de Arte e de Arquitectura, é um dos mais antigos da cidade, com uma estrutura tradicional em cantaria de pedra basáltica, janelas de madeira e varandas “de ralos” (das poucas sobreviventes). É também um dos imóveis em maior risco, visto estar em muito mau estado e já parcialmente em ruína.

 

Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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