Reflexões Crónicas – Para quê tanta tecnologia?

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Recebi há uns dias um telemóvel. Um daqueles telemóveis modernos, sem botões, de toque, que servem para tanta coisa que até permitem fazer telefonemas. Um desses telemóveis que sempre achei demasiado inútil e nunca quis. Agora tenho um, oferecido, e tive de lhe comprar uma capa que custou quase tanto como o meu Nokia.
Um dia destes pus-me a olhar para cima da secretária e a pensar na quantidade de maquinetas eletrónicas que tenho e na real função de cada uma. Senão vejamos. Nos tempos que correm o computador é essencial à vida, mais um disco externo para quem tem uma vida cheia de informação acumulada. O tablet é bastante útil no dia-a-dia, para quem não quer carregar quatro quilos de computador às costas quotidianamente. Ainda não tenho o telemóvel fundido com os dedos, como muita gente, e até hoje só me serviu para chamadas e uma mensagem ou outra, mas também não passo sem ele, nem que seja para me servir de relógio. A isto acresce uma máquina fotográfica (quase em desuso por causa do tablet), várias pen drives, uma parafernália de cabos para conectar tudo e mais alguma coisa, e mais qualquer aparelho que tenha ficado esquecido… Por fim, obviamente, o dito cujo.
Bem, a cavalo dado não se olha o dente. Mentalizei-me dois ou três dias depois de que passaria a usar um telemóvel de tamanho desproporcionado e que teria de passar a fazer chamadas com cuidado, não fosse dar com a ponta do nariz no ecrã e cortar a ligação ou abrir um jogo de cartas sem querer, como já aconteceu… Mas enquanto aprendia a funcionar com o “bicho” novo, pelo sim pelo não, mantive o cartão (e as chamadas) no velho.
Confesso que me deu imenso jeito como televisão para poder andar de um lado para o outro e acompanhar as eleições em directo. Mas mesmo assim continuo a achar inútil uma máquina com tantas aplicações, que é suposto facilitar-nos a vida mas passa o dia a buzinar e a queixar-se de actualizações urgentes e necessárias em programas que nunca vou usar ou nem sei o que são. Toda a tecnologia que temos hoje à nossa volta é suposto facilitar-nos a vida e a comunicação, o problema é que nos deixamos envolver de tal modo por esses “bichos” que deixam de ser ferramentas à nossa disposição para atingir um fim e passam a ser o fim em si.
Enfim, rendi-me à sua relativa utilidade, quando o utilizei em viagem para pôr os bilhetes electrónicos dos voos, poupando papel e horas em filas de aeroporto. Ironicamente, o bicho novo, com três dias de uso, cuja única função até agora foi servir de bilhete de avião, decidiu congelar, vamos chamar-lhe assim, nem muda nem desliga, e fiquei encalhado no meio do Leonardo da Vinci, com um avião para apanhar e sem saber sequer a hora do voo. Quatro balcões e alguma paciência depois, o problema é resolvido à moda antiga, em pessoa e em papel, tenho o cartão de embarque na mão, e ainda me resta tempo para escrever um pouco. Sorte a minha que as companhias aéreas italianas funcionam melhor que as finanças (a última vez que tive de ir lá carimbar um papel demorou três semanas… e ainda nos queixamos dos serviços em Portugal…)
E viajo agora só com uma questão em mente: Afinal, para quê tanta tecnologia?

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Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o “Acordo Ortográfico” de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovada-mente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, nPa imprensa e na população em geral).

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