Resposta aos Pontos Fortes

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No último artigo, em que me debrucei sobre como fazer a análise de uma situação económica e social, aplicando a técnica de identificar pontos fortes, pontos fracos, ameaças e oportunidades, dei ênfase a um ponto fraco em concreto.

Este facto teve como resultado que um dos meus estimados leitores me abordasse, com base na discussão dos pontos fortes que o Faial teria, e cuja conversa vou partilhar convosco.

Disse-lhe que obviamente o Faial tinha pontos fortes e apontei-os, contudo, para todos eles não me coibi de fazer um contraponto, isto é, não me limitei apenas a indicar o ponto forte mas completei a análise com as fraquezas, respetivas ameaças e oportunidades.

Como ponto forte principal, apontei a saúde, o facto de o Faial, com a sua dimensão geográfica, possuir uma importante unidade de saúde, nitidamente sobredimensionada para a nossa dimensão, dotada de excelentes profissionais. Apontei como ponto fraco algumas valências menos desenvolvidas, a necessidade de evacuações, e como ameaças três fatores, primeiro a redução dos gastos com a saúde, segundo a pouca atratividade do meio para determinados especialistas, e finalmente a política de centralização em outros hospitais. Obviamente, a oportunidade no setor da saúde consistirá em aproveitar as obras em curso para re-equipar duma forma moderna as novas instalações e, da mesma assentada, todo o hospital, aumentando-lhe a vida útil.

E não parei por aqui, referi que havia mais pontos fortes, como a educação, onde temos vários níveis de ensino até ao secundário e uma escola profissional, igualmente com profissionais de qualidade. Mas que também tinha pontos fracos, nomeadamente a existência de poucas áreas técnico-profissionais e a ausência de cursos a nível superior, levando a esmagadora maioria dos nossos jovens para fora da terra, com as consequências conhecidas. Como ameaça, apontei a dificuldade burocrática no financiamento do ensino, quer público, quer de formação profissional, dificultando em muito a sua gestão. Como oportunidade temos o crescimento de formação ligada ao mar, por parte do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, que tem um potencial que espero seja desenvolvido pelos seus responsáveis locais.

Nesta fase da conversa, o meu leitor e amigo já tinha compreendido que há pontos fortes, mas que estes não podem ser vistos ou enaltecidos per si, devendo ser acompanhados dos restantes elementos de análise, senão podemos estar a incorrer num erro de avaliação que considero ser, para além de incompleto, também grave.

Continuei nos pontos fortes, ter um aeroporto que nos liga aos nossos centros de maior atração, Lisboa e Ponta Delgada, mas logo, como ponto fraco apontei as penalizações da pista e a pouca (nenhuma) vontade política em eliminar as mesmas; como ameaças a alteração do modelo de transporte aéreo, com placas giratórias noutras ilhas, e como oportunidade continuar a trabalhar para dar vida a este aeroporto…

Aqui fui interrompido com uma pergunta categórica que apostava que não conseguia ver pontos fortes na gestão executiva do nosso município da Horta. A minha resposta foi imediata: vejo ao nível de organização!

Vejo um município que tem um plano diretor municipal, planos de urbanização entre outros instrumentos de gestão territorial, o que é verdadeiramente fundamental para que se conheça o que será feito e o que se pode fazer no município. Contudo, embora seja o mais importante em economia e gestão, a organização e o planeamento são ao mesmo tempo o calcanhar de Aquiles, desculpem, o ponto fraco do município, pois, de palavras bonitas e de boas intenções os documentos estão carregados, desde o preâmbulo ao articulado mas, na verdade, estão na sua maioria por cumprir. Vejo como ameaça a eficácia dos planos por possuírem contradições económicas, que levam a que a iniciativa privada não se desenvolva, não criando assim crescimento e emprego.

Já devem imaginar o que referi como oportunidades, é que o município da Horta tem tanto para fazer e muitas dessas coisas já estão identificadas nos seus planos de há muitos anos.

Em resumo, consegui que este meu leitor e amigo ficasse com a noção de que não devemos ficar facilmente satisfeitos e maravilhados com os pontos fortes, e que mesmo os poucos que existem requerem um esforço tremendo para os manter e muito mais para os potenciar ainda mais.

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