Dos 29 professores diplomados em 1918 pela Escola Normal da Horta, Tomé Silveira de Azevedo foi um dos 11 alunos que obtiveram a nota máxima de 20 valores.
Nascido a 7 de Julho de 1900, na freguesia das Ribeiras da ilha do Pico, era filho do proprietário Tomé Silveira de Azevedo e da dona de casa D. Rosalina Tomásia da Silveira.
Exerceu o magistério primário em diversas escolas do Faial e Pico, sendo nomeado em 1939, após concurso de provas públicas realizado em Lisboa, Director do Distrito Escolar de Ponta Delgada. Esteve nessa função até 1947, ano em que foi transferido para idêntico cargo no Distrito da Horta, onde permaneceu até 24 de Setembro de 1956, quando, por motivo de doença grave e a seu pedido, se viu forçado a passar à situação de aposentado. No desempenho das importantes funções de Director Escolar, quer em Ponta Delgada, quer na Horta, o professor Tomé Silveira de Azevedo houve-se sempre com segura competência e elevado aprumo, o que lhe valeu a consideração dos seus superiores e a estima e o respeito dos seus subordinados. Prova disso estão as manifestações que lhe prestaram em Julho de 1947 os professores micaelenses em significativa homenagem antes de deixar Ponta Delgada para ocupar a direcção do distrito escolar da Horta. A elas se referem os jornais da época que não hesitam em afirmar ter o professor Tomé Azevedo deixado “indelevelmente marcado o cunho honroso de uma nobre personalidade e de um distinto funcionário”. Em sessão solene, realizada nas escolas oficiais de São José da cidade de Ponta Delgada, a que assistiram “todos os professores primários daquele distrito”, as suas “qualidades de chefe e de amigo” foram então apontadas por vários professores em representação dos diferentes concelhos, “tecendo todos os oradores os maiores elogios ao homenageado, realçando o muito que o sr. Tomé da Silveira Azevedo havia realizado a bem da instrução durante os oitos anos de chefia dos serviços pedagógicos do distrito de Ponta Delgada”. O professor Brandão Palha, em nome dos colegas, e em reconhecido testemunho de gratidão, entregou-lhe “um artístico estojo e uma pasta para escritório”1 .
Havendo chegado à Horta a 31 de Agosto de 1947, o professor Tomé Silveira de Azevedo tomou posse do novo cargo no dia 1 de Setembro, a ela assistindo “muitíssimos professores e pessoas das suas relações e amizade”2 . Nas palavras que proferiu na ocasião, o novo Director Escolar prestou tributo à memória do seu antecessor, professor Constantino Magno do Amaral Júnior e, garantindo “a sua lealdade como superior que, adentro da lei, procuraria sempre ser um verdadeiro amigo em quem o professorado poderia confiar, esperando que este, por sua vez, saberia ser íntegro cumpridor dos seus deveres profissionais” acabou por conquistar a simpatia dos presentes que pressentiram, nestas palavras, “a vontade de bem dirigir e o desejo de continuar avante no belo rumo que tanto prestigiou a acção de sua ex.ª durante todo o tempo em que foi Director Escolar no distrito de Ponta Delgada, onde tão alto se revelou a sua rara competência” 3.
À frente do ensino primário nas ilhas do distrito da Horta, também o Director Tomé Silveira de Azevedo mostrou competência e zelo, estimulando os professores, animando as conferências pedagógicas e as festas escolares, acarinhando os alunos no seu processo de aprendizagem. Não me esqueço deste ponto, de que fui beneficiário como aluno da inesquecível professora da escola masculina da Lombega, freguesia de Castelo Branco, D. Eduína Alice da Rosa.
Até que uma doença súbita, provavelmente um AVC, o atingiu gravemente a 12 de Junho de 1955 na sua freguesia natal aonde se deslocara a fim de assistir a uma festa escolar4 . Notoriamente diminuído nas suas capacidades físicas, só regressou ao Faial em 27 de Agosto e, após um período de convalescença na sua casa de Castelo Branco – de onde era natural sua esposa – voltou ao exercício do cargo de Director Escolar em 5 de Outubro de 1955. Nele se manteve até 24 de Setembro de 1956 quando, a seu pedido e por causa da doença que o atormentava, passou, precocemente, à situação de aposentado. Sucedeu-lhe, no cargo, o adjunto escolar, professor João Silveira Bettencourt. Ao terminar “a sua carreira de professor e de director escolar, que tanto dignificou”5, a imprensa assinalou o facto destacadamente e os professores do Distrito Escolar da Horta prestaram-lhe justa e expressiva homenagem. Decorreu esta a 27 de Outubro, na Direcção Escolar que se encontrava repleta com os professores do Faial “e ainda com muitos outros do vizinho Pico que, propositadamente, se deslocaram à Horta”. A Comissão Organizadora da homenagem era formada pelas professoras D. Ana Adelina Bettencourt da Costa Nunes, D. Maria Margarida de Medeiros, D. Antonieta Bulcão Xavier Baptista, D. Evarista Leopoldina da Silva, D. Maria Amélia Pinheiro e pelos professores José Francisco Fialho e Henrique Augusto de Melo Barreiros. O novo director escolar “fez sinceras referências” ao homenageado, “como amigo, como camarada e superior dedicado”, a professora D. Ana Adelina Costa Nunes salientou o “simbólico acto de cumprimentos e despedida dum leal Amigo de todos os professores” e o delegado escolar do Concelho da Madalena, professor João Garcia Dutra, “enalteceu as qualidades do sr. Tomé Silveira de Azevedo como seu companheiro e Director, até ao momento triste da doença que o impossibilitou de continuar à frente do seu distrito”6 . Foram descerradas, pelas respectivas filhas, D. Teresa Amaral e D. Conceição Azevedo, duas fotografias dos últimos directores escolares, professores Constantino Magno do Amaral Júnior e Tomé Azevedo, tendo o professor Henrique Barreiros lido uma longa e expressiva mensagem, a qual foi colocada numa artística pasta que entregou ao homenageado e de que extraímos estas passagens:
“Saudade e gratidão, eis dois grandes sentimentos que neste solene momento dominam na alma de todos os agentes de ensino do Distrito Escolar da Horta, que, num uno e afectuoso impulso, protestam ao Exmo. Sr. Tomé Silveira de Azevedo o profundo reconhecimento com que o seu nome para sempre lhes ficará gravado no coração.(…) A grande competência de V. Ex.ª, já largamente comprovada por oito anos de excelente serviço, prestado como Director do Distrito Escolar de Ponta Delgada, onde tão justo e grande apreço lhe tributaram e onde a sua memória ficou perenemente iluminada pela elevada consideração, que soube conquistar, firmou-se entre nós numa crescente irradiação.
Quão viva é ainda a lembrança da chegada de V. Ex.ª a esta terra, onde jubilosamente era esperado e onde o professorado se sentiu ufano de que em Ponta Delgada fosse tão sentida a partida do nosso patrício, pois que Faial e Pico uma só terra são para os que aqui nasceram – e de que, então, nos sorrisse a esperança de que a sua vinda seria o que realmente foi.
De facto, os anos em que V.Ex.ª neste distrito exerceu o elevado cargo de Director Escolar são de muito grata recordação para os professores bem como para toda a população escolar” (…) 7
Pouco durou a reforma do professor Tomé Silveira de Azevedo, pois faleceu, aos 59 anos “às 10 horas de 30 de Setembro de 1959, na sua casa da rua Walter Bensaúde”, vitimado por um “enfarte de miocárdio” 8 . Decorridos 28 dias falecia sua esposa, a professora D. Beatriz Genuína Bettencourt, de 56 anos, natural de Castelo Branco, onde haviam casado a 28 de Outubro de 1935. Deixaram dois jovens filhos: António Bettencourt Silveira de Azevedo e D. Maria da Conceição Bettencourt Azevedo.











