Rio diz que “frontalidade” e “coragem” de Sá Carneiro são características “escassas atualmente”

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O presidente do PSD, Rui Rio, atribuiu hoje ao fundador do partido, Francisco Sá Carneiro, características como “frontalidade” ou “coragem”, afirmando que estas “são escassas atualmente” e reiterando que o primeiro-ministro, António Costa, “encenou uma tática partidária”.”O que se passou nos últimos dias por parte do Governo foi o contrário disto que o doutor Sá Carneiro valorizava e defendia. Não estou a ver o dr. Sá Carneiro a ensaiar um golpe de teatro e a demitir-se de primeiro-ministro porque lhe dá jeito para encenar uma tática partidária. Era um homem de Estado”, disse Rui Rio.
O líder dos sociais-democratas, que falava no arranque das comemorações do 45.º aniversário do PSD, data que está a ser assinalada por todo o país com a evocação da memória do fundador do partido, atribuiu a Francisco Sá Carneiro características como “frontalidade”, “garra” e “coragem” para depois afirmar que é disto que “o país precisa”.

“Espero que estas características continuem vivas, particularmente numa época na política em que estas mais falta fazem, são mais escassas, logo têm um valor maior, são mais valorizadas”, referiu.

Rui Rio falava no Porto antes de assistir ao filme “Snu” com o cabeça-de-lista do PSD às eleições europeias, Paulo Rangel.
“Snu”, da realizadora Patrícia Sequeira, conta a história de Snu Abecassis, fundadora da editora D. Quixote, que se tornou célebre por publicar livros que desafiavam a censura do Estado Novo e por se ter relacionado com Francisco Sá Carneiro.
O líder do PSD começou a sua intervenção por referir que “faz hoje rigorosamente 45 anos que Sá Carneiro, Pinto Balsemão e Magalhães Mota fizeram uma conferência de imprensa numa sala pequenina em Lisboa”, para lançar o partido que era conhecido como “o partido mais português”. E Rui Rio explicou, referindo que uma das razões era boa e outra “se calhar hoje as pessoas até vão achar que não é positiva”.
“Sá Carneiro quis pedir a adesão do PPD à Internacional Socialista, onde estavam os partidos social-democratas, mas não entrámos porque PS já lá estava e proibiu. Então, o PSD era o partido mais português porque não dependia de ninguém lá fora. Reforçámos a identidade nacional à custa do que o PS fez”, considerou.
Quanto à segunda característica, a boa, Rui Rio disse que o PSD era “um partido heterogéneo, o partido que representava a classe média e a médias das classes”.
O presidente dos sociais-democratas também falou em desgaste, reconhecendo que o PSD “apresenta o desgaste de 45 anos” como “todas as instituições apresentam” e ele próprio também, deixando conselhos.
“A opinião dos portugueses sobre os partidos é negativa. Compete-nos a nós alterar isso. É evidente que temos de nos adaptar, temos de adequar o partido ao momento moderno”, referiu, terminando o discurso com um “duplo agradecimento” a Francisco Sá Carneiro.
“Já o disse muitas vezes. Eu não entrei para o PPD. Eu entrei para o partido do dr Francisco Sá Carneiro. Se todos temos de estar agradecidos a Sá Carneiro, eu tenho de estar duplamente agradecido, porque se o dr. Sá Carneiro não tivesse feito um partido, eu se calhar tinha ido para o PS e vejam lá o que me tinha acontecido. Fez um partido e livrou-me de semelhante coisa”, concluiu.

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