Rumo à Excelência?

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Felizmente, os Açores encontram-se numa posição invejável do ponto de vista financeiro, de ambiente, em termos sociais e de prestígio. Estas características dão-lhe, indubitavelmente, uma enorme vantagem em relação ao futuro que aí vem.

Do ponto de vista financeiro, como já foi sobejamente esclarecido, não há nos Açores qualquer dívida escondida, como o próprio Tribunal de Contas enfatizou, e os níveis de endividamento são normais. “Normais”, o que neste país é uma verdadeira exceção.

Em termos ambientais, os Açores são por todos reconhecidos como dotados de um elevadíssimo nível. Temos problemas, é certo, como a falta de boa gestão de resíduos e o elevado nível a que são exploradas algumas espécies piscícolas. Em relação ao primeiro caso, está a decorrer um esforço financeiro avultado que culminará com o estabelecimento de centros de processamento de resíduos em sete das ilhas dos Açores e sistemas de solução final em duas delas. Em termos de exploração dos recursos piscícolas, o Governo dos Açores tem dado passos fundamentais para a sua proteção, sendo o último tão recente que o enfatizo: neste momento, devemos ser a única Região do mundo que não permite a descarga de pescado que tenha sido capturado com artes não sustentáveis (redes de arrasto de fundo).

Dado o pendor de esquerda e verdadeiramente socialista do Governo Regional, obviamente, houve e há uma enorme preocupação com as questões sociais. Desde os sistemas de apoio estrutural (hospitais, centros de saúde, creches e lares) até aos sistemas de apoio conjuntural (rendimento mínimo, subsídio de desemprego, entre muitos outros), tudo encaixa para que, com uma eficiência crescente, se dê suporte a quem precisa. Há ineficiências, claro que há, e todos conhecemos, infelizmente, casos de abusadores do sistema, mas são correções que serão progressivamente corrigidas, mas, e isso é determinante, não colocam o sistema em si em questão.

Como corolário do exposto atrás, os Açores usufruem hoje de um prestígio muito interessante. De facto, o resto do mundo informado olha para os Açores com um misto de curiosidade e incredulidade. Há mesmo um anúncio de uma popular agência de viagens norte-americana que apela enfaticamente à visita aos Açores! Ou seja, esse é o desafio, aproveitar o balanço de um certo conforto económico, ambiental e social, mas não cair na tentação da massificação ou do desbarato. Isso, na minha opinião, apenas se consegue com a manutenção da qualidade e com o atingir de patamares de excelência turística e produtiva.

Evidentemente, podemos optar por puxar os nossos galões de ultraperiféricos e ampliar os apoios nacionais e comunitários. No entanto, no meu ponto de vista, estamos numa posição privilegiada para sairmos da dependência económica. Basta para isso, o que não é pouco, criar polos de atratividade e de produção com alicerce na excelência. Ou seja, podemos produzir batatas como todos os outros, mas apenas as conseguiremos vender no centro da Europa se tivermos apoios para o transporte, já que de outra forma os nossos preços nunca serão concorrenciais, ou, alternativa dois, produzir as melhores batatas do mundo e vendê-las, com justiça, pelo preço mais alto do mundo. Da mesma forma, podemos ter empresas vulgares, com rendimentos vulgares, ou tentar atrair as melhores empresas do mundo para os Açores e assim obter rendimentos ultra-interessantes. Como fazê-lo, perguntar-me-ão. A resposta é que temos um ambiente excelente, uma economia fiável e um clima social equilibrado. Quantos sítios no mundo se podem gabar do mesmo?

Nos próximos tempos, aproximando-se as eleições, muitos, especialmente a oposição, darão nota da diferença entre a nossa situação atual e o patamar de excelência. O Governo e o partido que o suporta, também obviamente, irão minimizar essa diferença. Isto é natural. O verdadeiro desafio caberá aos cidadãos porque, para além de terem de identificar quem aproxima mais da realidade, terão de verificar qual a melhor estratégia proposta e a melhor equipa para debelar esse hiato.

A construção do futuro dos Açores tem-se baseado no “Rumo à Excelência”. Não é uma estratégia nova. A grande diferença é que agora, com um inevitável esforço e clarividência conjunta, temos de lá chegar!

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