Ryanair, dá-nos asas para voar

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A revelação feita há dias por Michael O`Leary, presidente executivo da companhia aérea de baixo custo Ryanair, que a empresa está a estudar a possibilidade de abrir uma terceira rota nos Açores, fez-me imediatamente imaginar uma manifestação no aeroporto da Horta a favor da Ryanair, com um slogan do género “Ryanair Pick Me!!, Pick Me!!”, com fundo amarelo e letras azuis, apropriado para este momento decisivo, sobretudo em termos de desenvolvimento económico, para a nossa ilha.
Escolhe-me!! Escolhe-me!! devem ser estas as palavras que, desde o dia 22 de fevereiro, têm que andar na boca dos principais responsáveis políticos das ilhas do Faial e do Pico. É certo que o presidente da companhia irlandesa não mencionou estar a negociar uma nova rota para uma destas ilhas, mas não haja quaisquer dúvidas que, pela posição estratégica que têm no arquipélago, pela população que abrangem e pela importância que assumem no turismo regional, deverá ser uma delas a escolhida.
Mas, enquanto nós andámos ocupados a fazer estudos e a discutir o aumento da pista do aeroporto (ainda andamos), a Ryanair, na surdina, encontrava-se a preparar uma cuidada análise de racionalidade económica, de perspetivas financeiras e de custos e proveitos, exigência imposta a qualquer empresa cotada em bolsa, cujo objetivo é o lucro e a remuneração dos seus accionistas.
Sabendo-se que é característica principal das companhias low cost voarem para aeroportos pequenos, afastados das grandes cidades, onde as taxas aeroportuárias são mais baixas, permitindo-lhes, assim, aumentar a rentabilidade por passageiro, um ponto fulcral dessa análise e decisão será, com certeza, o valor que cada aeroporto do Triângulo cobra às companhias aéreas que neles aterram.
Na Horta, o aeroporto encontra-se concessionado pelo Estado Português à ANA – Aeroportos de Portugal, empresa adquirida em 2013 pela VINCI, enquanto no Pico o aeroporto é propriedade da Região Autónoma dos Açores através da SATA Aeródromos.
Se nos lembrarmos que, entre 2013 e 2016, a ANA aumentou 9 vezes as taxas cobradas no aeroporto de Lisboa e da “guerra” que a Ryanair trava, neste momento, com a ANA por causa desses sucessivos aumentos, então certamente que a O´Leary será muito mais fácil negociar com o Governo Regional para os seus aviões aterrarem no Pico, onde, quase de certeza, os custos de cada operação são inferiores aos do aeroporto da Horta.
E é esta dicotomia entre custos (reduzidos) e propriedade (Região) que poderá influenciar a referida companhia low cost a optar pela ilha do Pico.
Se àqueles elementos acrescentarmos o facto de o Pico estar a crescer anualmente, em dormidas, com valores próximos dos dois dígitos (9,4%), funcionando como um polo atrativo de atividade turística, ao invés da ilha do Faial que cresceu apenas 1,1%, então a decisão poderá estar tomada.
Mas quando se exigia da parte de todos os intervenientes locais uma atitude reivindicativa, uma posição firme e unânime, criando um ambiente propício junto da Ryanair e da ANA, o que tivemos foi uma reação tímida, mas cooperante do Presidente do Município e um comunicado sem qualquer conteúdo reivindicativo por parte da instituição que defende os interesses dos empresários faialenses, a Câmara do Comércio e Industria da Horta.
Do lado dos picoenses pouco se ouviu até agora, o que nos leva a ficar desconfiados, pois poderá denotar que estão a trabalhar nos bastidores para alcançar o tão almejado objetivo: ter uma companhia low cost a voar para a ilha.
O que é certo é que, independentemente de onde o avião aterre, a criação desta nova rota é benéfica para o Triângulo, para a sua população e, sobretudo, para o seu tecido económico e empresarial.
No entanto, se mais uma vez a ilha do Faial for relegada para segundo plano, como têm mostrado os números, não restarão dúvidas a ninguém que o poder político dominante há muitos anos nesta ilha ao nível do município, e também da Região estará posto em causa.
Por isso, Sr. O`Leary dá-nos asas para voar e não apenas para sonhar com o fim do monopólio da SATA.

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