SATA: afinal, até calhou bem!

0
13

Na semana passada fomos surpreendidos pela notícia de que, afinal, o Governo Regional andou a mentir acerca do processo de privatização de 49% da SATA Azores Airlines.

Dizia o Governo, secundado pela administração da SATA, que tinha recebido uma proposta da Loftleidir Icelandic e que esta estaria a ser analisada do ponto de vista técnico-jurídico.
Na verdade, o que a companhia aérea islandesa pretendia era colocar um administrador na SATA, para seis meses depois tomar uma decisão sobre a compra, ou não, dos 49% da empresa. Esta intenção foi manifestada num documento que o Governo Regional conheceu a 26 de Julho de 2018, já depois do adiamento do prazo inicial para envio da proposta.
Como é óbvio, ninguém, no seu perfeito juízo, faz uma proposta destas com o mínimo de seriedade. E é patético, para não dizer triste, que a administração da SATA diga que estava há 5 meses a estudar uma proposta com este teor.
A situação torna-se ainda mais triste quando recordamos aquela infeliz cena do Presidente da SATA, na RTP/Açores, a mostrar que não sabia quantos, nem quais, os aviões que tem a empresa. Uma dúvida gerada, certamente, devido à vastíssima frota da empresa.
Mas toda esta história acabou por até calhar bem ao Governo, pois serviu como pretexto para acabar com o processo errado que é a privatização da SATA. Agora é necessário que o Governo Regional tenha a sensatez e a responsabilidade de não perpetuar e ampliar este desastre, e que não arranje um bode expiatório em qualquer funcionário/a da Assembleia para disfarçar toda esta trapalhada que o próprio Governo criou.
A anulação do processo de privatização é uma nova oportunidade para, com sensatez, pensar, de forma madura, sobre o futuro da SATA. É mais do que tempo de pensar nos superiores interesses dos Açores e na importância estratégica desta empresa.
É preciso não esquecer – como o próprio governo já afirmou várias vezes – que a SATA foi um instrumento muito importante, no passado, para minimizar os efeitos da crise no sector do Turismo. Não podemos esquecer também que somos um mercado pequeno. Deixar as ligações aéreas do arquipélago com o exterior totalmente nas mãos do mercado é um erro estratégico que sairá muito caro no futuro. E colocar 49% da SATA nas mãos de uma companhia muito maior significa perder o controlo sobre a companhia aérea regional.
Só há boas razões para que a SATA continue pública, e que possa continuar a ser um instrumento económico ao serviço dos interesses dos Açores.
Por isso, mantenho o que defendi no Parlamento em nome do BE: é imperativo
definir claramente os objetivos e as obrigações da SATA no atual quadro, de forma responsável; quantificar as necessidades de capitalização e o seu modelo; contratar uma administração competente; impedir que a SATA continue a ser um albergue e uma plataforma para os jogos políticos do PS; finalmente, e se necessário no novo quadro, estudar eventuais parcerias, mas não privatizações.
Este é o caminho que permite a defesa dos Açores e dos seus ativos. O outro caminho é o do PSD, que, por razões ideológicas e por mera guerrilha partidária, exige agora que o Governo inicie um novo processo de privatização a preço de saldo. 

Cabe ao PS decidir se alinha com a direita ou se defende os Açores.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO