Seminário das Jornadas Parlamentares do PSD sobre “Políticas do Mar”

0
10

Tiago Pitta e Cunha diz que a aproximação e a exploração do mar enquanto recurso natural é agora incontornável, e que o maior aliado dessa aproximação é a actual crise económica.

Falando no seminário das Jornadas Parlamentares sobre “Políticas do Mar”, o Consultor do Presidente da República para os Assuntos da Ciência, Ambiente e Mar, disse aos presentes que “já seria suficiente se o país visse no oceano a sua geração de riqueza. E afirma que é no mar profundo que a nossa plataforma continental terá valor a curto/médio prazo”.

Pitta e Cunha alertou ainda para a necessidade de não desprezarmos a nossa geografia, “que é uma das mais marcantes de toda a Europa e que pode ser um a mais valia imensa na potenciação do mar profundo”.

Para o consultor, é preciso aproximar o mar das políticas de Bruxelas, “passados 30 anos de adesão à União Europeia, continuamos a não ser a sociedade europeia desenvolvida que almejávamos. Temos ciência, temos massa crítica mas não temos inovação e isso deve-se, em grande parte à “ausência de estratégias, de visões, nomeadamente uma visão de que não poderemos continuar sem explorar os nossos recursos naturais. E o maior desses recursos naturais é o mar, que Portugal desconhecia que tinha.”
Quer Tiago Cunha, quer Ricardo Serrão Santos, Pró-Reiro da Universidade dos Açores para a Integração dos Assuntos do Mar, defenderam um regresso ao mar como uma prioridade estratégica, opinião também corrobada por Berta Cabral, líder do PSD Açores e candidata a presidente do executivo regional nas eleições de Outubro, 

Tiago Pitta e Cunha deixou dicas de como fazer, por onde começar no sentido de apostar no desígnio do mar como potenciador de economia. “por um lado, tem de haver um governo que olhe com olhos de ver para a economia do mar e que torne isto uma prioridade estratégica. Uma prioridade estratégica que, em termos económicos, signifique o mesmo que pesou uma indústria automóvel nos anos 90 ou uma indústria de energias renováveis na última década. Se, pelo menos, não for tão estratégico quanto isso o mar não vai arrancar. Depois, é preciso criar condições para os empreendedores, tornando Portugal um país atractivo para a exploração do mar. As empresas de excelência, competitivas, as que criam emprego e riqueza não se criam por decreto. Mas pode-se, por decreto, criar as condições para que elas surjam, por exemplo, através de políticas fiscais.”

 

Berta Cabral assumiu o mar como “o grande desafio que não pode continuar adiado”, afirmando que “futuro Governo dos Açores liderado pelo PSD colocará convictamente o Mar como prioridade política de primeira grandeza. E isto numa perspectiva holística que inclui ambiente, transportes, energia, turismo, e náutica de recreio, ordenamento do território, pescas, aquacultura, conservação e transformação do pescado, biotecnologias, tecnologias marinhas, construção e reparação naval, infraestruturas portuárias e serviços marítimos e ou investigação aplicada ao nível dos minérios e outros recursos naturais existentes na nossa plataforma marítima, de forma coordenada e concertada.”

Lançando farpas a César, Berta Cabral referiu também que “A gestão que se fez nos últimos anos, com a exploração em demasia de algumas espécies, é o resultado do erro político de atribuição excessiva de licenciamentos de novos barcos, que sobredimensionou o sector, atribuindo de várias licenças de renovação da frota a pessoas que nem estavam ligadas à pesca, e isto sem se proceder ao abate das embarcações antigas, como veio agora a verificar-se”.

Berta Cabral avançou ainda com a necessidade “de projectar os produtos da pesca açoriana além-fronteiras, depois de garantida uma formação profissional mais adequada, com programas de educação obrigatórios sobre as melhores práticas de pesca e os princípios fundamentais da ecologia marinha. Pois, nas pescas em particular, como nos assuntos do mar em geral, os Açores precisam de uma governação com resultados”, frisou.