Abriu recentemente portas, na Praça da República, o restaurante “Sim ou Sopas”, propriedade de três irmãos que resolveram dedicar a sua idade de reforma à “cozinha com sabores tradicionais”.
O “Sim ou Sopas” surge com um novo conceito de comida caseira pronta a servir, a partir de receitas de tradição, fielmente elaboradas na panela seguindo critérios que preservam o valor e a identidade do património gastronómico dos Açores e do Faial.
O novo restaurante pretende igualmente ser um espaço de referência da gastronomia regional, não só para os que nos visitam mas também para todos os faialenses e para todos os apreciadores das comidas genuínas destas ilhas do arquipélago.

O “Sim ou Sopas” é um novo restaurante, situado na cidade da Horta, que aposta na gastronomia tradicional açoriana, integrada num ambiente rústico, situado numa zona de referência da cidade.
Trata-se de um restaurante familiar, propriedade de três irmãos, dois já reformados e um em vias de se reformar, que partilham o gosto pela culinária: “todos gostamos de culinária e temos jeito para a cozinha e assim conjugou-se uma série de factores que nos levaram a avançar com esta experiência, que não é nada mais que um projecto de família”, referem.
Os três irmãos decidiram que estava na altura de pôr em prática uma ideia que tinham, mas que vinha sendo adiada por diversas razões. A forma como decidiram avançar está bem ilustrada pelo original nome do restaurante: “foi mesmo um ‘Sim ou Sopas’, porque levámos muito tempo a decidir se havíamos de avançar ou não com esta ideia”.

Embora tenham consciência que esta não foi talvez a altura ideal para investir, tendo em conta a actual conjuntura económica do país, os irmãos resolveram arriscar e avançar com o projecto: “fizemos um estudo de mercado com base naquilo que pensávamos fazer, baseado numa economia de baixos custos em todos os aspectos. Negociámos muito bem a renda do espaço, não temos funcionários e temos um conceito de comida de panela, onde os pratos são também bastante económicos”, acrescentam.
Para os proprietários o objectivo foi criar um espaço com um conceito de culinária diferente, que consideravam estar em falta na Ilha. O “Sim ou Sopas” pretende ser “um espaço de referência de comidas típicas, caseiras, baseadas em receitas antigas, dos seus pais e avós, de tempero tradicional, aquelas que se fazem em casa mas qua habitualmente não constam da ementa dos restaurantes locais”, referem. “Havia uma lacuna ao nível da gastronomia regional, por isso resolvemos marcar a diferença e assim pretendemos ser um ponto de referência primeiro para as pessoas da terra, porque são elas que vivem na ilha todo o ano e não pretendemos viver só à base do turismo sazonal”, explicam.
No âmbito deste novo conceito a aposta dos empreendedores vai para o almoço. O “Sim ou Sopas” abre pelas 12h00 com comida pronta a servir, confeccionada durante a manhã, e a preços acessíveis, para aqueles que não podem ir a casa almoçar. “Queremos essa gente toda cá, por isso não temos funcionários e confeccionamos pratos económicos de forma a podermos ter preços acessíveis, o que no conceito de restaurante com comida à carta não é possível”, salientam.
O restaurante funciona com o serviço de prato do dia, colocando à disposição dos clientes três variedades de sopa e três pratos diferentes. Dispõe ainda de um serviço de Take Away e, excepcionalmente a pedido dos clientes, abre as portas à noite, para grupos, e confecciona comida para festas e outros eventos por encomenda.
O “Sim ou Sopas” funciona interruptamente das 12h00 às 19h00, de segunda a sábado. Durante a tarde serve petiscos, verdadeiras iguarias que deliciam os mais petisqueiros, como é o caso das moelas guisadas, das asinhas de frango, dos torresmos de pele, entre outros.
Do cardápio fazem também parte as verdadeiras sopas do campo, como a Sopa Azeda (Temperada), a Sopa de Fava com funcho, a Sopa D´Avó, a Sopa de Feijão à Lavrador, a Sopa de Carne, o Caldo Verde ou a Canja de Galinha, bem como pratos tipicamente confeccionados como a Caldeirada de Raia, as Iscas ou os Bifes de Cebolada, a Albacora Assada, a Dobradinha com feijão, a Mão de Vaca com Grão, a Caçoila de Porco, entre muitos outros. Tudo isto servido num ambiente tradicional que, embora de pequena dimensão, promete um atendimento personalizado, que pretende oferecer rigor e um serviço de qualidade.
Os proprietários deste restaurante, que abriu as suas portas ao público no passado dia 27 de Março, afirmam que esta experiência se deve apenas ao gosto de cozinhar: “não é daqui que vamos tirar a nossa fonte de rendimento”, dizem, referindo que, para já, não têm grandes ambições em relação ao futuro do restaurante: “está tudo ainda muito vago, vamos ver até onde conseguimos ir sem grandes preocupações”, dizem.
Até agora, e apesar de estar aberto há pouco tempo, os proprietários do “Sim ou Sopas” fazem um balanço positivo: “até ao momento temos tido algum sucesso. Superou todas as nossas expectativas mas temos consciência que as coisas são efémeras e neste momento as pessoas estão curiosas e querem experimentar. É novidade”, referem.
“Tínhamos algum receio, porque podia ser um conceito que podia ou não agradar. Sabíamos que iríamos ter algumas pessoas mas não estávamos realmente à espera desta aceitação”, confessam.
Os irmãos referem ainda que têm tido também algum feedback através do blogue que criaram na internet para apresentar o seu restaurante. “Todos os dias vamos ver o que há de novo. As visitas, os comentários e as opiniões têm partido das pessoas das freguesias do campo que comentam que têm muita pena que ao domingo estejamos encerrados, porque é o dia da família, é o dia em que as famílias se juntam, para passear e almoçar fora”, dizem. Por isso, abrir ao domingo é uma hipótese a considerar, no entanto lembram que o conceito do restaurante “é servir os almoços para a classe trabalhadora que passa o dia na cidade”.















