
Há muitas formas de subserviência e, de entre estas, a subserviência política. Nesta, muitos se acomodam ou se sujeitam como forma de obter as boas graças dos chefes partidários e, desta forma, obter ou manter os seus lugares em listas eleitorais para cargos apetecíveis tanto na estrutura do governo, como das autarquias, no parlamento, ou mesmos para lugares de nomeação. Outros, para assegurar a sua influência ou sobrevivência politica.
Esta realidade, que por vezes de tão excessiva se torna “cega”, predomina mais, como é óbvio, do lado daqueles atores políticos que a qualquer nível mais próximos se encontram dos poderes instituídos.
No nosso meio político, nos últimos tempos, têm sido evidentes os repetidos exemplos (que não são novos) da excessiva subserviência “cega” em vários palcos da atividade política por parte de alguns atores locais que desempenham diferentes cargos políticos e falam em nome do Partido Socialista.
Alguns exemplos:
1. No plenário do mês de junho da Assembleia Legislativa Regional os deputados do grupo parlamentar do PSD eleitos pelo Faial apresentaram um voto de protesto pelo “ABANDONO E DEGRADAÇÃO DAS ESTRADAS REGIONAIS INTERIORES DO FAIAL”, que mereceu o voto favorável de todas as bancadas parlamentares e o voto contra do Partido Socialista, fazendo assim “chumbar” a iniciativa do PSD.
A justificação e defesa do referido sentido de voto coube ao deputado do PS eleito pelo Faial que se esforçou por apregoar as benfeitorias do governo socialista realizadas ou a serem realizadas nesta ilha, esquecendo-se totalmente que a grande maioria destas resultam de largos anos de promessas, de sucessivos adiamentos, da alteração de projetos, da sua redução e da execução por fases, algumas das quais sem evolução à vista de que são exemplo a 2ª fase do reordenamento do Porto da Horta e a 2ª fase da Variante à cidade da Horta.
Mas falando da razão do voto de protesto apresentado sobre o abandono das estradas interiores – sem falar da degradação de muitas outras da rede regional do anel rodoviário da ilha – não é verdade e uma evidência, ao alcance de todos, que a conhecida por estrada do mato Largo Jaime Melo e a Ribeira do Cabo passou de alcatrão a cascalho e assim permanece, vergonhosamente, há cerca de 20 anos, com reais prejuízos para a população residente, para quem nos visita e para a economia da ilha?
Se isto não é verdade e não merece o nosso protesto, não sei então o que será verdade e o que dizer!
2. Na última reunião da Assembleia Municipal, realizada no mês de junho, o Grupo Municipal do PSD apresentou um voto de protesto pela AUSÊNCIA DE RESPOSTAS DO GOVERNO REGIONAL”, tendo o voto sido aprovado pela maioria dos grupos municipais representados neste órgão deliberativo, mas com a abstenção dos deputados municipais do Partido Socialista.
No voto apresentado o PSD não se referia apenas às iniciativas tomadas pelo seu Grupo, mas também a outras de idêntico teor apresentadas por outras bancadas, nomeadamente do PS, aprovadas pela Assembleia Municipal e que solicitavam pedidos de esclarecimento ao Governo Regional, sem qualquer resposta sobre várias matérias, nomeadamente: IMAR, Requalificação do Porto Comercial, Acessibilidades Aéreas.
E qual foi o argumento do líder do Grupo Municipal do PS para justificar a abstenção? Foi dizer que havia razões para fazer reparo à falta das respostas do Governo às deliberações da Assembleia Municipal e aos esclarecimentos que lhe eram solicitados por este órgão autárquico, mas que não podiam aprovar o voto pelo termo empregue no ponto um da parte resolutiva do voto que dizia textualmente: “Repudiar a ausência de respostas dos membros do Governo Regional dos Açores e a aparente indisponibilidade para responder e cooperar com a Assembleia Municipal da Horta”.
Portanto, a única razão para justificar o sentido de voto do PS foi considerarem excessivo o uso da palavra “Repudiar”.
Se “Repudiar” a ausência de respostas do Governo Regional às deliberações da Assembleia Municipal, algumas do final de 2017, é para o Grupo Municipal do PS excessiva, embora dizendo concordar que a atitude do Governo não é correta, não é uma falta de respeito institucional que merece ser repudiada, então o que dizer?
Em democracia a liberdade de voto é um direito constitucional e isso não se contesta, agora os argumentos utilizados para justificar as posições politicas assumidas já podem ser interpretados livremente e censurados.
Os repetidos ziguezagues – e declaradas contradições entre o discurso e os atos – dos principais atores políticos do PS local que permanentemente se arvoram de estar na primeira linha, a todos os níveis, da defesa dos interesses do Faial e dos faialenses não passa de pura retórica e é bem demonstrativo da subserviência política ao partido que, para além de “cega”, é contrária e prejudicial à afirmação e ao progresso da nossa ilha.












