Tino Lima – Dos campos de futebol para os palcos do Got Talent Portugal

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Albertino Lima, multifacetado nos desportos, praticou andebol, atletismo, ciclismo e hóquei em patins, mas foi no futebol local que se distinguiu, onde jogava em todas as posições dentro das quatro linhas, passando por diversos clubes. Aos 62 anos e já afastado da “ribalta” do desporto rei, lança-se por outros palcos e ruma ao Got Talent Portugal, onde se estreia a tocar música com uma caneta.
Tino Lima, como é conhecido tem sempre muitas histórias para contar. Nesta sua conversa com o Tribuna das Ilhas (TI), o jogador/artista partilha a sua experiência no palco do programa da RTP1 e algumas memórias enquanto jogador e treinador de futebol. 

 
 
Tino Lino é um faialense de berço, firme das suas ideias, que não “vira facilmente”, como afirma.
Esta sua maneira simples e divertida de estar na vida levou-o até aos palcos do programa Got Talent Portugal, que estreou no passado fim de semana na RTP 1, onde se apresentou com um “estanho” talento de tocar música com uma caneta na boca. 
Tino Lima confessa que descobriu este talento quando tinha apenas 11 anos através de um caixeiro viajante que vinha frequentemente ao restaurante dos seus pais, e que com uma caneta tocava várias músicas. Destemido como é, disse-lhe: “da próxima vez que cá vier eu vou tocar melhor que o senhor”. “Já lá vão 51 anos”, recorda.
Tino revela que já na primeira edição do programa tinha intenção de participar, mas quando foi concorrer já tinham terminado as inscrições. Agora, mais atento, fez a sua inscrição atempadamente, no entanto a sua presença não foi logo confirmada. “Inscrevi-me e passados dois dias ligaram-me a dizer que estava inscrito, perguntaram-me o que é que eu tocava, expliquei. Disseram-me que aceitavam a candidatura, mas que Açores e Madeira não estavam contemplados, só o continente”. 
Tino aceitou esta condição, mas não convencido insistiu que vissem o seu vídeo disponível no youtube. “Foram ver o vídeo e meia hora depois voltaram a ligar a dizer que afinal estava inscrito, para me apresentar no dia 19 de dezembro no Centro de Congressos do Estoril”, revela.
Este não foi, no entanto, o último contato que recebeu da organização. Passado uma semana volta a receber um telefonema: “afinal o senhor já não vem. Já passou a primeira audição. O júri viu o seu vídeo e o senhor já está na segunda audição, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, a 22 de dezembro”, ouviu-se do outro lado da linha. No dia marcado, lá estava Tino com o seu “instrumento”.
A música escolhida para apresentar no programa, revela Tino, teve “uma razão de ser”. “É a música do John Philip Sousa, ‘The Stars and Stripes Forever’, e foi escolhida porque era tocada nas tardes regionais de futebol quando eu jogava. Faço uma homenagem aos jogadores, treinadores, dirigentes, locais e regionais que jogaram comigo e contra mim”, conta. Lima explica que a ideia surgiu quando, a convite do seu amigo Caldeira, foi à rádio Montanha nas Lajes do Pico tocar. “Eles iam iniciar um programa desportivo e quando entro está a tocar a música da tarde desportiva e eu pensei logo é esta a música que eu vou tocar no Got Talent Portugal”, afirma.
Tino fala com entusiasmo da sua presença no programa, onde até pregou uma partida ao júri. “Fui à Artista Faialense e eles deram-me uma caixa muito velha de um instrumento”. Apesar da insistência da sua esposa, para que “não levasse nada daquilo”, Tino, “teimoso”, levou a sua caneta dentro da caixa. “Eu entro, abro a caixa e digo: desculpem mas passou na semana passada no Faial um furacão e levou-me o instrumento”, conta. Soltam-se as gargalhadas no público, mas o artista não se desconcerta: “eu tiro a caneta, o Tochas (Pedro Tochas  um dos jurados do concurso) fica a olhar e eu digo: se me autorizassem com a caneta eu tentava tocar”. Com resposta afirmativa, o artista avança com as notas musicais e diz: “eu vou tentar tocar”. “Quando eu começo a tocar o Tochas faz uma cara de admirado e olha para a Marisa, que está ao lado ao dele. Começo a tocar e penso que aos 25 segundos, mais ou menos, ele me mostra o vermelho, mas eu continuei a tocar”, afirma.
 
Tino teve três sins mas não passa à próxima audição
Lima não passou à segunda audição, com o júri a alegar que nas próximas etapas o artista não teria nada de novo para apresentar. Este argumento não é válido para Tino, que até já tinha escolhido temas para futuras audições. “Provavelmente seria uma música da Marisa e, na terceira audição, iria tocar uma musica açoriana, ou então o Baleeiro”, diz.
Tino revela que a “experiência foi inesquecível”. “Foram 15 horas na audição, fiz entrevistas, gravações, uma delas com a minha esposa, que sempre me acompanhou, fotos e mais fotos, maquilharam-me seis vezes; tive 15 horas de fato e lacinho que eu detesto”, conta. “Foi bonito porque na sala onde estava com todos os concorrentes havia muita criança e eu era o velhote”, recorda, destacando o facto de ter construído algumas amizades nesta aventura.
Quanto ao seu talento invulgar, não passou despercebido, com várias pessoas da produção do programa a parabenizá-lo não apenas pelos seus dotes musicais mas pela sua forma de estar na vida. 
Tino não se considera um artista nem pensava passar à próxima fase, mas o interesse que despertou levou-o a pensar que tinha algumas possibilidades. “Não fui convencido de que passava. Mas depois dos comentários que ouvi durante todo o dia e da curiosidade das pessoas, que me perguntavam se eu era o Tino, pensei que tinha hipóteses”.
Também fora das audições e enquanto circulou por Lisboa, Tino revela que fez a sua própria promoção. Nos táxis, nas lojas e locais onde passava fazia questão de se apresentar e mostrar o seu talento.
O artista já marcou presença no Natal dos Hospital nos Açores, já recebeu vários convites para atuar, tocou a bordo de alguns dos cruzeiros durante os passeios que fez pelo mundo e pensa em voltar a concorrer na próxima edição do programa, mas vai mudar de estratégia, revela o músico. “Eu penso que o meu problema foi não ter tocado a solo, mas sim com música a acompanhar”.
O músico tem disponível no youtube um vídeo produzido por um amigo que lhe deu a hipótese de mostrar o seu talento e que partiu de uma brincadeira, conta Tino e que agora “já tem mais de duas mil visualizações”. 
 

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