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Tratado Tordesilhas – Malditas Plataformas!

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A discussão do plano de ordenamento do território dos Açores centrou-se na redacção relativa à criação de plataformas logísticas em São Miguel e na Terceira, todavia há mais questões que se levantam e há consequências – negativas – para o Faial e para os Faialenses.

O discurso de então foi focalizado na forma e não no conteúdo, tendo os governantes procurado desvalorizá-la e minimizar os impactos desta medida, e muito se escreveu, fazendo-se crer tratar-se apenas de uma logística de portos e navios.

Porém, é muito mais do que isso, é a definição clara de que este governo acredita e aposta apenas no desenvolvimento de duas ilhas, sendo as outras satélites, que contribuem para a sustentabilidade das maiores mas que dificilmente sairão deste estado de gravitação, aumentando inclusive o seu grau de dependência daquelas.

Parece que a História volta a acontecer neste plano de ordenamento, há uma divisão geopolítica e económica semelhante ao Tratado de Tordesilhas, uma parte para São Miguel e os restantes Açores entregues aos capitães da Terceira, com consequências negativas para o Faial.

Os agentes económicos passam a tomar medidas de gestão e investimento com base nestas premissas, já que será nestas plataformas que haverá concentração de actividade económica, com novos investimentos e, consequentemente, será gerado valor apenas naquelas ilhas. Assim, está-se perante um factor de não investimento nas restantes ilhas, nas quais o Faial se inclui.

Leia-se e perceba-se que os agentes económicos são tanto os públicos como os privados. Os públicos governamentais deste governo já estão a trabalhar nas plataformas a todo o vapor. Cito, a título de exemplo, a última notícia onde se prevê a criação de apenas dois centros de resíduos na Região, onde se situam as plataformas, com rede de recolha nas restantes ilhas. Ora, impõem-se algumas questões: será que foram feitos estudos no sentido de avaliar se era necessário um, dois ou mais centros, ou se poderia a porta de saída ser outra ilha que não estas, para a desenvolver? Duvido que se tenha posto a hipótese de uma solução diferente da estabelecida, pois os políticos que mandam e mandaram aplicar esta estratégia de plataformas é que dividiram o bolo e está tudo decidido em função disso.

Mas a maldição não fica pela decisão pública de investimento nas plataformas; os agentes privados vão em sequência, fixando-se nos mercados em crescimento e protegidos por este governo, sediando empresas em São Miguel e no grupo central, leia-se, na plataforma da Terceira.

As consequências são mais do que evidentes, são menos estabelecimentos, menos indústria, menos competências, menos comércio e, principalmente, menos empregos que poderiam também ocorrer no Faial, afastando inevitavelmente a nossa ilha do comboio de actualização, da nova economia, dos novos negócios.

Estamos, assim, perante um planeamento deste governo que nos prejudica, que não é social no reconhecimento de outras potencialidades de desenvolvimento regional sem ser nas ilhas que viram nascer os governantes.

Mais, sabendo que o grande e o mais nobre desafio da política regional consiste no desenvolvimento das economias mais pequenas, o seu contrário é a prova de que estes governantes são incapazes de as desenvolver e, para que não haja dúvida, vêem necessidade de decretar, escrevendo este Tratado de Tordesilhas.

Estas políticas malditas para o Faial têm de acabar, basta de fazer propaganda com mais uns metros de plantas, cuja importância é inegável, mas quando comparados com o futuro do desenvolvimento económico estão aquém do potencial e da realidade que esta ilha poderia ter e da sua importância a nível Açores, caso não estivesse barricada sem políticas e sem políticos.

Estarei porventura a ser demasiado crítico, para alguns estarei mesmo a ser o profeta da desgraça, mas infelizmente vejo que os factos estão a dar-me a razão.

E, mais uma vez, é necessário que estas plataformas, que arredam o Faial e os faialenses de uma nova esperança nos tempos que aí vêm, sejam urgentemente mudadas, a bem dos Açores.

                                                                              [email protected]

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