Tributo ao Amigo Alberto Romão

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Partiu há cerca de três semanas. Chamava-se Alberto Romão Madru-ga da Costa.

Os 26 anos da sua vida pública, que tem sido sobejamente destacada nestes últimos dias, deram-lhe merecida projecção, tanto a nível dos Açores como de todo o País. Desde membro da comissão administrativa da Câmara Municipal da Horta até presidente do Governo Regional e presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Alberto Romão Madruga da Costa foi presidente da Junta Geral, secretário regional dos Transportes e Turismo e deputado eleito pelo círculo do Faial em seis legislaturas.

Distinguido com as prestigiadas condecorações da Grã-Cruz da Ordem do Mérito, da Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique e da Insígnia Autonómica de Valor, jamais deixou de ser a pessoa simples e afável que irradiava simpatia e conquistava amizades.

Conheci-o há mais de 50 anos. Com o advento da democracia em 1974, comungámos de ideais nobres, sonhando com uma sociedade justa, fraterna e solidária, que queríamos construída pacificamente, sem recurso a quaisquer tipos de lutas e no respeito pela liberdade de cada um. Defendíamos a unidade do Povo Açoriano, desejando que ele pudesse ser senhor do seu destino através de órgãos de governo próprio democraticamente sufragados. Lendo e estudando os programas das principais forças partidárias que se apresentavam então como mais chamativas, optámos pela social-democracia por entendermos ser a que mais se adequava aos nossos princípios. Essa escolha mereceria, durante duas décadas, a preferência da maioria do nosso povo, e exigiria de todos os que intervieram na construção da ambicionada nova sociedade açoriana muito trabalho e enorme militância. E foi aí, na construção autonomia democrática, que Alberto Romão se destacou, revelando-se depois um protagonista decisivo na sua consolidação. Companheiros de jornada, fomos cultivando uma grande amizade, que se firmou ainda mais pela participação em múltiplos organismos e movimentos que deram ainda mais sentido à vida daquele que é, desde há 32 anos, padrinho de uma das minhas filhas.

 É que Alberto Romão Madruga da Costa foi, porém, mais do que um distinto gestor da administração pública ou do que um pensador político de singular capacidade. A sua formação cristã, recebida, quando criança, em casa e na igreja, e cultivada na juventude e na idade adulta, moldaram e orientaram a sua vida e levaram-no igualmente à acção empenhada e liderante nos mais diversos organismos, desde a Juventude Univer-sitária Católica até aos Cursos de Cristandade, passando pelas Equipas de Casais de Nossa Senhora e pelos Cursos de Preparação para o Matri-mónio. A sua disponibilidade e o seu sentido de serviço revelar-se-iam ainda, e já depois de aposentado da sua carreira profissional, na assunção de cargos em instituições pertencentes ou dependentes da Diocese de Angra e Ilhas dos Açores, concretamente na administração da empresa “Correio da Horta”, na de director do diário por ela editado e na de actual presidente da Mesa da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia.  

Possuidor de vasto e rico currículo, resultante do exercício de variadas funções políticas, filantrópicas, sociais e religiosas, ele foi um humanista profundo, abertamente tolerante desde que não fossem postos em causa os princípios morais e religiosos a que foi sempre fiel, pronto para servir, para harmonizar as pessoas e para encontrar soluções para as instituições.

Sei do que falo, porque em muitos casos fui testemunha presencial.

As comoventes e imensas reacções de estima e de pesar que o seu falecimento desencadeou nas nossas ilhas, no continente português e nas comunidades açorianas da América do Norte, são a prova final de que Alberto Romão Madruga da Costa foi um pacífico gestor de conflitos, um homem justo e sereno e, sobretudo para mim, um bom e saudoso Amigo.

 

 

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