
Há quem considere o Monte Queimado um acidente na paisagem…
Com 81 metros de altura e parcialmente desmantelado por ação da erosão marinha, o Monte Queimado é o resultado de uma erupção terrestre do tipo estromboliano.
Hoje, Paisagem Protegida porque alberga na sua área espécies endémicas, este morro serviu outrora de pedreira de bagacinas. E vive, abandonado, desenhando-se numa sombra sobre o abdómen pançudo do Monte da Guia, formado por vulcanismo submarino basáltico e que se eleva a 145 metros. Estes dois montes formam uma barreira natural que protege a enseada de Porto Pim.
Cabeço negro, soturno e de difícil acesso, exceto para aqueles que se aventuram no seu trilho, o Monte Queimado lá está, escalavrado, monótono e esquecido, qual outro frade beneditino…
Cone de escórias vulcânicas, as suas íngremes e negras encostas ameaçam derrocadas a todo o instante… Lá do alto tem-se uma boa vista e uma bela perspetiva da cidade da Horta e do mar. Ambiente deserto, há ali um silêncio que se torna mais profundo ao entardecer.
Há quem diga que a Horta passaria muito bem sem este cabeço corcunda… Puro engano. A Natureza é que tem destas coisas.
A propósito, perguntaram um dia ao neozelandês Edmund Hilary, o primeiro homem a escalar os 8.500 metros do Monte Evereste:
– Porque é que o senhor subiu o Monte Evereste?
Resposta imediata de Edmund:
– Porque ele está lá.
Na mesma ordem de ideias, há aquele episódio do juiz norte-americano que, ao julgar pela
15ª vez John Dillinger, lhe pergunta:
– Mas porque é que o senhor teima em assaltar bancos?
Responde Dillinger:
– Porque é lá que está o dinheiro…
Há lógicas que são inapeláveis. O Monte Queimado está lá. Só há que o subir e desfrutá-lo.
Sim, sou um amante do Monte Queimado. E, nesta condição, estou disposto e disponível em criar a Associação dos Amigos do Monte Queimado.
Quem alinha comigo?














